Felipe Rau/ ESTADÃO - 26/3/2019
Felipe Rau/ ESTADÃO - 26/3/2019

Como fazer um currículo?

Taxa de desemprego está em 12%; como se destacar na multidão?

Érika Motoda, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2019 | 18h36
Atualizado 30 de agosto de 2019 | 09h49

Um currículo com informações objetivas, organizadas de forma lógica e com linguagem adequada, é o suficiente para se destacar no meio de tantos outros. Pois, considerando que os recrutadores recebem muitas candidaturas diariamente, é preciso dizer com poucas, mas certeiras palavras as experiências relevantes para o cargo pleiteado.

 

Veja as dicas de como fazer um currículo

    1 - Dados pessoais

    O início do currículo deve ser reservado a informações básicas de contato. Não é preciso colocar nenhum título como "currículo".

    2 - Objetivo

    O objetivo é dedicado ao cargo ou ao departamento desejado. O candidato que quiser pleitear vagas em áreas diferentes não deve se esquecer de atualizar o objetivo para evitar imprecisões.

    3 - Formação

    Nesta área, devem constar os cursos curriculares. Não é necessário colocar o histórico escolar completo, somente os mais importantes para a vaga. 

    4 - Experiência profissional

    Se o trabalhador atuou em mais de uma área dentro da mesma empresa, é interessante incluir essa informação na parte de experiência profissional.

    5 - Extracurriculares

    Os cursos extracurriculares, de curta ou longa duração, vão quase no final do currículo. Lembrando que o candidato deve ser honesto ao informar o nível de conhecimento ou período em que se encontra no curso.

    6 - Prêmios e destaques

    Se o candidato não tiver nenhum tipo de reconhecimento de trabalhos anteriores, não precisa incluir essa parte no currículo. É melhor dedicar o espaço a habilidades que ele tem do que escrever coisas negativas como "não obtive nenhum reconhecimento ao longo da minha trajetória".

     

     cerca de 12,6 milhões de pessoas desocupadas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) referentes ao trimestre encerrado em julho. O contingente representa um recuo de 4,6% frente ao trimestre anterior - o que corresponde a menos 609 mil pessoas - e ficou estatisticamente estável em relação a igual período de 2018 (12,8 milhões). Mas, por mais que a recessão tenha acabado em 2017, o mercado de trabalho não dá sinais consistentes de recuperação.

    Na fila do desemprego, o brasileiro topa qualquer oportunidade de trabalho. Por isso, a professora da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Christine Schröeder deu dicas de como obter mais chances durante processos seletivos.

    Perfis

    A escolha de um funcionário é um processo racional de análise de capacidades. Portanto, seja no currículo ou na entrevista, o candidato deve mostrar de maneira objetiva que está apto a preencher a vaga.

    Pouca experiência profissional. O ponto mais forte que pode ser utilizado no currículo de quem tem esse tipo de perfil é o conhecimento adquirido por meio da formação acadêmica ou de cursos extras - inclusive os online e os de curta duração -, trabalho voluntário e participação em projetos escolares. É preciso demonstrar sempre disposição para aprender.

    Desempregado há um tempo. A pessoa com esse perfil vai ter um hiato cronológico e, na hora de montar o currículo, precisa mostrar para o recrutador que durante esse tempo, mesmo estando desempregado, buscou se desenvolver e se atualizar para poder ser reinserido no mercado. Isso pode ser comprovado também por meio de certificados de cursos extras ou trabalhos voluntários. Em nenhuma hipótese se deve falar mal do antigo empregador.

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    Quer migrar de área. É preciso ter algum elemento no currículo que comprove as competências necessárias para desempenhar a nova função. Pode ser alguma certificação complementar, uma pós-graduação ou até mesmo conhecimentos de trabalhos anteriores. Porém, a pessoa que se encaixa nesse perfil deve tomar cuidado para não criar um currículo prolixo e sem foco.

    Mulheres

    Dona de casa. A situação da mulher que se dedicou exclusivamente às tarefas domésticas é semelhante à de quem está desempregado há um tempo, só que ela tem uma carga mais pesada: a da desigualdade de gênero.

    “Nós ainda temos que lidar com o machismo no mercado de trabalho. Ainda há entrevistas abusivas”, disse Christine. “Minhas alunas são questionadas se são casadas, se têm filhos, ou com quem deixam os filhos; enquanto os homens não lidam com esse tipo de pergunta.”   No Brasil, o salário das mulheres equivale, em média, a 79,5% do salário recebido por homens, segundo estudo divulgado em 8 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2018, enquanto o salário médio deles era de R$ 2.579, elas recebiam R$ 2.050. 

    Tecnologia

    Há uma tendência de que a tecnologia se torne cada vez mais protagonista no processo de recrutamento e seleção, aponta Christine. Entre os meios que já são utilizados, estão o de vídeo-currículo, vídeo-chamada e redes sociais profissionais.

    Vídeo. É preciso estar atento ao gerenciamento de impressão, ou seja, tentar gerar uma imagem positiva diante do entrevistador. Além de tomar o cuidado de gravar o vídeo-currículo em um ambiente sem ruído ou bagunça, o candidato pode escrever um roteiro e ensaiá-lo, para poder informar a trajetória profissional com mais segurança e desenvoltura.

    Skype. Por mais que nessa modalidade não seja possível ensaiar, é preciso ter um roteiro mental de informações a serem mencionadas durante a entrevista, para não deixar escapar nada comprometedor ou deixar de mencionar pontos importantes. Mas, atenção, não é para parecer que está lendo uma “cola”; é para olhar diretamente para a câmera, como se estivesse olhando nos olhos dos entrevistadores.

    LinkedIn. Os recrutadores observam o conteúdo postado nas redes sociais dos candidatos. Como o LinkedIn é uma rede voltada exclusivamente para objetivos profissionais, é importante ser um usuário ativo, pois, enquanto o currículo é útil para pleitear uma vaga específica, o LinkedIn é conveniente para que o candidato fique no radar dos recrutadores.

    O desvirtuamento do uso do LinkedIn é um ponto negativo, portanto, nada de publicar na rede social conteúdos que fujam do tema mercado de trabalho.

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