Como ficam os investimentos com a Selic a 12,75%

Aumento da taxa de juros favorece os investimentos em renda fixa, mas o investidor também pode encontrar oportunidades na Bolsa, especialmente olhando para o longo prazo

Jessica Brasil Skroch - O Estado de S.Paulo

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar a Selic em 1 ponto percentual para 12,75% ao ano nesta quarta-feira, 4, reforçou a atratividade dos investimentos pós-fixados, na renda fixa, e determinados setores na Bolsa, como as empresas exportadoras.

O cenário de incertezas, com a guerra na Ucrânia, o endurecimento de medidas anti-covid na China, e a alta de juros nos Estados Unidos dão destaque aos investimentos de renda fixa, especialmente para aqueles investidores que preferem ter menor oscilação do patrimônio. “Os títulos pós-fixados são os mais seguros nesse momento, porque se beneficiam diretamente com a alta da Selic”, diz Vinícius Romano, especialista em renda fixa na Suno Research.

Outra vantagem é que o investidor, se precisar, pode resgatar o dinheiro mais facilmente, destaca Romano. O Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e os CDBs pós-fixados (como CDBs 100% ou mais do CDI) são exemplos de investimentos desse tipo.

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Os títulos indexados à inflação são uma boa segunda escolha, na opinião de Romano, porque trazem a proteção do IPCA. “As opções com juro real acima de 5% trazem um bom carrego para a carteira, além de proteger contra a inflação, se for mantido até o vencimento”. Alguns títulos de médio prazo conseguem um bom retorno, mas é preciso ter cautela com títulos mais longos nesse momento, diz o especialista. 

Na renda fixa, os prefixados são os que oferecem maior risco ao investidor, uma vez que não é possível prever exatamente a inflação. Porém, Romano destaca que há títulos de curto prazo que estão com taxas atrativas, rendendo em torno de 12% ao ano. 

O fundo DI com taxa de 2% ao ano é o investimento de renda fixa que não deve ter ganhos que batam a inflação, nos cálculos de Fábio Gallo, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Ele considerou um aporte de R$ 1 mil a ser sacado daqui a um ano. A poupança, por sua vez, é o segundo pior investimento entre os analisados, e deve ter um rendimento de valor real, descontada a inflação, de R$1,24.

Renda variável

Embora a alta da taxa básica de juros favoreça o investimento em renda fixa, o investidor pode encontrar oportunidades na Bolsa, uma vez que algumas ações se desvalorizaram recentemente, por causa da expectativa de alta de juros.  “A alta de juros prejudica no curto prazo (os investimentos em renda variável, como as ações na Bolsa), mas no longo prazo se espera que o Brasil saia mais amadurecido da crise. Esperamos que a Bolsa seja o principal provedor de performance nos próximos 2 anos”, diz Pedro Tiezzi, analista de investimentos da SVN. 

A alocação de investimentos na Bolsa não deve se preocupar com a volatilidade no curto prazo, mas usar dessa característica para encontrar um bom momento para investir em uma ação, na visão do analista.  “Temos um ambiente favorável, ainda que volátil, para fundos de Bolsa, fundos de crédito pós-fixados e fundos multimercados”, acrescenta Tiezzi. 

O setor com maior atratividade são as empresas exportadoras ligadas ao mercado de commodities, apontam Rodrigo Natali, sócio e estrategista-chefe da casa de análise Inv, e Igor Martins, sócio da One Investimentos. Natali também cita os ativos vinculados a moedas estrangeiras e grandes instituições financeiras. 

Quando os juros brasileiros estiverem próximos do ponto de inflexão, ou seja, no fim do ciclo de aperto monetário do Banco Central, os setores do varejo e construtoras tendem a começar a se recuperar e viram “os queridinhos do mercado”, diz Flávio Aragão, sócio da gestora de patrimônio 051 Capital. O momento também seria favorável para os prefixados e indexados à inflação. O ponto de inflexão, porém, depende do Banco Central, que ainda não indicou quando os juros devem começar a cair.

Aumento da Selic melhora o cenário da renda fixa, mas o investidor pode encontrar oportunidades na Bolsa  Foto: Fabio Motta/Estadão

Cenário desafiador 

A conjuntura econômica atual traz diversos pontos de risco e exige cautela do investidor. Entre eles está a incerteza em relação ao mercado da China, que está impondo lockdowns severos como medida de contenção da covid-19, o que impacta diretamente as economias ligadas ao país, como o Brasil, afirma Tiezzi, da SVN. 

Natali, no entanto, é mais otimista, e acredita que a situação do regime de zero tolerância na China não terá tanto impacto, porque o país tem um histórico que mostra que conseguirá controlar os desafios e aplicar os estímulos necessários. 

A guerra na Ucrânia, porém, é mais preocupante, na avaliação do especialista. Para Romano, da Suno, enquanto a guerra não acabar, a inflação brasileira sofrerá com os efeitos secundários do conflito.

Somam-se a esses pontos de risco as eleições que se aproximam e a possível alta de juros nos EUA. “Caso a alta nos EUA seja acima da esperada, haverá uma fuga de investidores do Brasil para poder operar nos juros mais altos americanos, causando queda da Bolsa brasileira”, diz Tiezzi.

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Como ficam os investimentos com a Selic a 12,75%

Aumento da taxa de juros favorece os investimentos em renda fixa, mas o investidor também pode encontrar oportunidades na Bolsa, especialmente olhando para o longo prazo

Jessica Brasil Skroch - O Estado de S.Paulo

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de elevar a Selic em 1 ponto percentual para 12,75% ao ano nesta quarta-feira, 4, reforçou a atratividade dos investimentos pós-fixados, na renda fixa, e determinados setores na Bolsa, como as empresas exportadoras.

O cenário de incertezas, com a guerra na Ucrânia, o endurecimento de medidas anti-covid na China, e a alta de juros nos Estados Unidos dão destaque aos investimentos de renda fixa, especialmente para aqueles investidores que preferem ter menor oscilação do patrimônio. “Os títulos pós-fixados são os mais seguros nesse momento, porque se beneficiam diretamente com a alta da Selic”, diz Vinícius Romano, especialista em renda fixa na Suno Research.

Outra vantagem é que o investidor, se precisar, pode resgatar o dinheiro mais facilmente, destaca Romano. O Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e os CDBs pós-fixados (como CDBs 100% ou mais do CDI) são exemplos de investimentos desse tipo.

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Os títulos indexados à inflação são uma boa segunda escolha, na opinião de Romano, porque trazem a proteção do IPCA. “As opções com juro real acima de 5% trazem um bom carrego para a carteira, além de proteger contra a inflação, se for mantido até o vencimento”. Alguns títulos de médio prazo conseguem um bom retorno, mas é preciso ter cautela com títulos mais longos nesse momento, diz o especialista. 

Na renda fixa, os prefixados são os que oferecem maior risco ao investidor, uma vez que não é possível prever exatamente a inflação. Porém, Romano destaca que há títulos de curto prazo que estão com taxas atrativas, rendendo em torno de 12% ao ano. 

O fundo DI com taxa de 2% ao ano é o investimento de renda fixa que não deve ter ganhos que batam a inflação, nos cálculos de Fábio Gallo, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Ele considerou um aporte de R$ 1 mil a ser sacado daqui a um ano. A poupança, por sua vez, é o segundo pior investimento entre os analisados, e deve ter um rendimento de valor real, descontada a inflação, de R$1,24.

Renda variável

Embora a alta da taxa básica de juros favoreça o investimento em renda fixa, o investidor pode encontrar oportunidades na Bolsa, uma vez que algumas ações se desvalorizaram recentemente, por causa da expectativa de alta de juros.  “A alta de juros prejudica no curto prazo (os investimentos em renda variável, como as ações na Bolsa), mas no longo prazo se espera que o Brasil saia mais amadurecido da crise. Esperamos que a Bolsa seja o principal provedor de performance nos próximos 2 anos”, diz Pedro Tiezzi, analista de investimentos da SVN. 

A alocação de investimentos na Bolsa não deve se preocupar com a volatilidade no curto prazo, mas usar dessa característica para encontrar um bom momento para investir em uma ação, na visão do analista.  “Temos um ambiente favorável, ainda que volátil, para fundos de Bolsa, fundos de crédito pós-fixados e fundos multimercados”, acrescenta Tiezzi. 

O setor com maior atratividade são as empresas exportadoras ligadas ao mercado de commodities, apontam Rodrigo Natali, sócio e estrategista-chefe da casa de análise Inv, e Igor Martins, sócio da One Investimentos. Natali também cita os ativos vinculados a moedas estrangeiras e grandes instituições financeiras. 

Quando os juros brasileiros estiverem próximos do ponto de inflexão, ou seja, no fim do ciclo de aperto monetário do Banco Central, os setores do varejo e construtoras tendem a começar a se recuperar e viram “os queridinhos do mercado”, diz Flávio Aragão, sócio da gestora de patrimônio 051 Capital. O momento também seria favorável para os prefixados e indexados à inflação. O ponto de inflexão, porém, depende do Banco Central, que ainda não indicou quando os juros devem começar a cair.

Aumento da Selic melhora o cenário da renda fixa, mas o investidor pode encontrar oportunidades na Bolsa  Foto: Fabio Motta/Estadão

Cenário desafiador 

A conjuntura econômica atual traz diversos pontos de risco e exige cautela do investidor. Entre eles está a incerteza em relação ao mercado da China, que está impondo lockdowns severos como medida de contenção da covid-19, o que impacta diretamente as economias ligadas ao país, como o Brasil, afirma Tiezzi, da SVN. 

Natali, no entanto, é mais otimista, e acredita que a situação do regime de zero tolerância na China não terá tanto impacto, porque o país tem um histórico que mostra que conseguirá controlar os desafios e aplicar os estímulos necessários. 

A guerra na Ucrânia, porém, é mais preocupante, na avaliação do especialista. Para Romano, da Suno, enquanto a guerra não acabar, a inflação brasileira sofrerá com os efeitos secundários do conflito.

Somam-se a esses pontos de risco as eleições que se aproximam e a possível alta de juros nos EUA. “Caso a alta nos EUA seja acima da esperada, haverá uma fuga de investidores do Brasil para poder operar nos juros mais altos americanos, causando queda da Bolsa brasileira”, diz Tiezzi.

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