Como investir o FGTS em consórcio de imóveis

Na última semana, o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) aprovou o uso do FGTS em consórcios que planejam a compra de imóveis. Nos próximos dois meses, a Caixa Econômica Federal definirá as regras dessa operação e cadastrará as administradoras interessadas em operar nas novas condições. No fim desse período, as mudanças devem entrar em vigor.A resolução, assinada pelo ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, estabelece que os recursos do fundo de garantia poderão ser utilizados como lance nos consórcios. Hoje, já é possível aplicar o FGTS como complemento do valor da carta de crédito, que é recebida quando o cliente é sorteado ou faz um lance expressivo. O consorciado pode optar por usar parte ou mesmo o total do dinheiro acumulado no fundo para dar como lance ou para completar sua carta de crédito.Cuidado com a taxa de administraçãoAntes de aplicar o fundo de garantia em um consórcio de imóveis, é preciso tomar alguns cuidados. Em primeiro lugar, é bom ficar bastante atento às taxas de administração cobradas pelas empresas. O Banco Central (BC) possui um levantamento de mais de 70 companhias que oferecem consórcio de imóveis. A média das taxas praticadas pelas administradoras é de 15,18%. Alguns consórcios chegam a cobrar até 22% de taxa de administração. Isso significa que, neste último caso, por exemplo, a cada R$ 100,00 desembolsados pelo consorciado, apenas R$ 78,00 vão para a compra da casa própria."Quanto menos for preciso sacar do FGTS, melhor", alerta a presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcio (Abac), Consuelo Amorim. Isso porque a taxa de administração é descontada também do valor do lance. Ou seja, os recursos sacados do fundo acabam se tornando menores quando aplicados em consórcio. Por conta da taxa de administração, o consorciado faz melhor negócio compondo a carta de crédito com os recursos do FGTS na hora da compra, e não dando lance com o dinheiro. Isso exige bastante planejamento, mas vale a pena.Veja o exemplo de um consórcio de cem meses para a compra de um imóvel no valor de R$ 80 mil e taxa de administração de 18%. Cada prestação custaria R$ 944,00. No fim do plano, o consorciado teria pago R$ 94.400,00, sendo que R$ 80 mil vão para a carta de crédito e R$ 14.400,00 vão para a administradora. Este valor independe de o total ter sido pago somente em prestações ou parte em lance.Num segundo exemplo, se o trabalhador conta com um FGTS de R$ 40 mil, pode montar um plano diferente, adquirindo um consórcio que ofereça carta de apenas R$ 40 mil. Mantendo as mesmas condições do exemplo anterior, a prestação seria de R$ 472,00. No final, o total pago ao consórcio seria de R$ 47.200,00 sendo que R$ 7.200,00 iriam para a administradora. Ao receber a carta de R$ 40 mil, o consorciado juntaria com o dinheiro do fundo para comprar a casa de R$ 80 mil, exatamente como no primeiro exemplo, com a diferença de que economizaria R$ 7.200,00. Fazer lance com FGTS depende da necessidadeNa opinião do diretor-executivo do Consórcio Rodobens, José Carlos Dias Marques, a decisão de usar o FGTS como lance nos consórcios depende muito da necessidade de cada cliente. Na sua avaliação, o negócio pode compensar, por exemplo, nos casos em que o cliente paga aluguel e deseja adquirir logo a casa própria.O consorciado deve, portanto, avaliar se realmente vale a pena pagar a taxa de administração sobre o valor do FGTS para retirar o imóvel mais rápido. Quem entrar no consórcio sem ter intenção de fazer o lance logo no começo do plano para poder se beneficiar do usufruto do bem, deve preferir a segunda opção, isto é, usar o FGTS como complemento da carta de crédito.Outro detalhe que merece ser destacado é o fato de que usar o FGTS como lance no consórcio não significa que o cliente irá conseguir a carta de crédito, já que existe a possibilidade de, no mesmo mês, outro consorciado fazer um lance maior. A presidente da Abac, Consuelo Amorim, diz que, para não correr esse risco, o melhor a fazer é acompanhar quais foram os lances anteriores e projetar quanto precisa ser investido para a obtenção da carta de crédito.Para os casos de desistência do consórcio, a nova regra do FGTS não muda muita coisa. Quando o cliente decide sair no meio do plano, a maioria das administradoras prevê que o resgate das prestações só pode ser feito no fim do período contratual. O que significa que, num plano de 120 meses, por exemplo, o cliente só pode reaver o dinheiro dez anos depois de quando começou a pagar o consórcio.Cuidados ao entrar no consórcioNo ano passado, a Fundação Procon-SP (órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual) atendeu 292 consultas e reclamações relacionadas a consórcio imobiliário, a maioria delas (135) sobre questões contratuais. Consuelo Amorim, da Abac, recomenda algumas precauções antes de se investir em consórcio de imóveis: entrar em contato com o BC para verificar se a administradora é registrada; ler atentamente o contrato; verificar a solidez financeira da empresa e conferir o número de reclamações que o Procon recebeu contra ela.Confira no link abaixo a lista das administradoras de consórcio imobiliário registradas no Banco Central e as taxas de administração cobradas por cada uma delas. E veja também a Cartilha de Consórcio, que explica quando este produto é vantajoso em relação às operações de crédito.

Agencia Estado,

18 de março de 2002 | 16h31

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