André Dusek/Estadão
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Como reflexo da Lava Jato, Petrobrás admite que balanço poderá trazer perdas em ativos

Com divulgação suspensa desde novembro, balanço poderá ser apresentado no dia 27 de janeiro; em comunicado enviado ao mercado, estatal afirma que faz revisão de ativos e projetos

Luana Pavani, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2015 | 14h27


Em comunicado enviado à BM&FBovespa, a Petrobrás admite que, como reflexo das investigações na Operação Lava Jato, é possível que o balanço do terceiro trimestre de 2014 traga reconhecimento de perdas em ativos e projetos, e revisão do ativo imobilizado.

Suspenso desde novembro, após as investigações da Operação Lava Jato, a expectativa do mercado é de que o balanço não auditado da Petrobrás seja divulgado em 27 de janeiro.

"Cabe ressaltar que, em função dos desdobramentos da Operação Lava Jato, a Petrobras está realizando as análises necessárias para o fechamento e divulgação das demonstrações contábeis do 3º trimestre de 2014, incluindo a avaliação individual de ativos e projetos cuja constituição se deu por meio de contratos de fornecimento de bens e serviços firmados com empresas citadas na Operação Lava Jato, inclusive a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), o que poderá resultar no reconhecimento de perdas e consequente revisão de seu ativo imobilizado atual", afirma no documento.

O mesmo comunicado afirma que testes internos não indicaram a necessidade de reconhecimento de perdas de investimentos realizados na Refinaria Abreu e Lima nas demonstrações contábeis até o exercício de 2013. A informação vem em resposta a um ofício da BM&FBovespa pedindo esclarecimentos à estatal sobre reportagem do jornal Folha de S.Paulo, publicada em 18/01, intitulada "Petrobrás responsabiliza ex-diretor por explosão de custos em refinaria".

Conforme a nota da estatal, um teste da Área de Abastecimento avalia as operações do conjunto de refinarias, oleodutos e terminais, que operam de forma integrada, incluindo investimentos em curso, e tal conjunto é chamado de "Unidade Geradora de Caixa (UGC)". "Nas demonstrações contábeis até o exercício de 2013, os resultados desses testes não indicaram a necessidade de reconhecimento de perdas de investimentos realizados na Rnest", explica a companhia.

De acordo com a Petrobrás, o Plano de Negócios e Gestão 2012-2016, aprovado pelo conselho de administração em junho de 2012, foi precedido de medidas, como "ampla reavaliação da carteira de projetos da companhia, incorporação de ajustes nas projeções físicas e financeiras, e aprimoramento da sistemática de acompanhamento e controle da execução dos projetos."

Para realizar o projeto da Rnest, que contava com avanço físico de 60% e "praticamente todos os compromissos" assumidos em contratos de bens e serviços, a Petrobrás diz que foram realizados estudos e análises com empresa especializada em planejamento de projetos, que subsidiaram a definição da data de partida da refinaria em novembro de 2014, "o que foi cumprido".

Ainda em 2012, relatório da auditoria interna da Petrobrás, elaborado em novembro daquele mês, trazia uma atualização econômica em relação às condições da época da aprovação do projeto, de novembro de 2009, explica o comunicado. "Essa atualização havia sido concluída em março de 2012 e não apresentava uma visão prospectiva que permitisse subsidiar decisão de continuidade do projeto."

Ainda na defesa do projeto, a Petrobrás diz que sua continuidade, no âmbito do PNG 2012-2016, confirmou o seu alinhamento aos aspectos estratégicos que justificaram a tomada de decisão de investimento em 2009, entre eles suprir o crescimento da demanda nacional por diesel, nafta, e GLP, em especial

nas regiões Norte e Nordeste e ampliar a margem de refino.

A Petrobrás esclarece ainda que realiza anualmente "impairment" de ativos para identificar se as receitas futuras ão suficientes para arcar com os custos de operação e recuperar os investimentos realizados.

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