Tiago Queiroz/Estadão - 16/4/2020
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Fábio Gallo
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Como se proteger do Pac-Man da moeda

Previsão é que inflação feche o ano em 5,15%

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2021 | 05h00

Se tem algo que o brasileiro tão tem saudades é da inflação descontrolada. Nos últimos meses, esse fantasma, que parece um Pac-Man da moeda, tem nos assustado. Embora ainda não estejamos num cenário realmente preocupante, temos o IPCA acumulado de 12 meses em 6,76% e a previsão fechar o ano em 5,15%.

Essa preocupação tem afetado também os norte-americanos, que estão vendo mais de perto esse papa-dinheiro. Os preços ao consumidor de abril daquele país vieram bem acima do que era projetado. Sendo uma ameaça mais forte ou não, considerar a inflação no planejamento financeiro é algo essencial, na perspectiva de gastos da família ou na de investimentos.

Na perspectiva de consumo, as pessoas devem rever o seu orçamento. Primeiro, revejam os gastos, verifiquem se não há itens que estão com valores previstos abaixo dos preços atuais, principalmente alimentação e transporte. Lembre-se que os salários não estão aumentando. Devem ser buscadas oportunidades de economia.

Uma boa dica é o organizar e controlar o seu orçamento nos grupos A,B,C e D. Reúna todos os gastos com alimentação no grupo A (bem claro que aqui entram as compras do mês e/ou alimentação fora de casa, mas não devem entrar vinhos importados ou chocolate suíço). No item B considere aquelas contas básicas da casa, como água, luz, aluguel e outros gastos obrigatórios. O grupo C representa os itens de conforto, mas que numa emergência podem ser cortados, como TV a cabo e outros itens que você julgue que podem ser tirados do orçamento, pelo menos temporariamente. O item D representa o que seja desnecessário, aqueles gastos que você reconhece que são supérfluos ou esquecidos no meio das contas.

Do ponto de vista dos investimentos, quem mantém suas carteiras diversificadas e orientadas para seus objetivos estão mais bem preparados, mas talvez sejam necessários alguns ajustes. Na renda fixa, buscar estar mais posicionado em títulos pós-fixados indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+. Mas considere casar o prazo do título às suas necessidades de uso dos recursos, isso para evitar perdas caso você tenha de vender o papel antes do vencimento. Na atual taxa de juros, todos os títulos de renda fixa de curto prazo, indexados ao CDI, estão perdendo para a inflação.

Na renda variável busque ações de empresas com fundamentos sólidos. Ações vinculadas a bens de consumo são boas opções. Ações boas pagadoras de dividendos também podem oferecer proteção. Embora todos sofram com a inflação, há setores que se beneficiam. Commodities podem ser alternativa. Mas cuidado em investimentos muito voláteis. Apostas simplesmente podem fazer você pagar um preço muito alto. De qualquer maneira, tratar seus investimentos conforme os ventos não é uma boa ideia.  

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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