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Como se proteger dos riscos e quais estratégias adotar com os juros a 7,75%

Busque aproveitar oportunidades, mas seja disciplinado ao administrar sua exposição ao risco. Lembre-se também de não confiar na emoção

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 04h00

Alinda poesia de Carlos Drummond de Andrade, de 1942, fala sobre a falta de esperança e sensação de que tudo está perdido. Embora trate da solidão do indivíduo, hoje talvez pudéssemos atualizar o poema no coletivo e perguntar: E agora, Josés? 

Estão sendo minadas as nossas esperanças de sairmos da crise econômica. A tal da volta em “V” está mais para “L”. O Banco Central está tendo de acelerar a escalada de juros para combater a inflação na casa de 10,34% no acumulado em 12 meses. 

Além de termos uma inflação de oferta menos sensível à política monetária, temos a péssima administração fiscal, fora variáveis externas. Esse cenário é terrível para quem está endividado. Mesmo entre quem está conseguindo investir, há grande preocupação. 

Vou focalizar a questão do ponto de vista do investidor. Como se proteger dos riscos e quais estratégias podem ajudar a deixar as carteiras mais equilibradas. Um primeiro ponto é ser mais ativo na gestão de riscos. 

No curto prazo o rendimento líquido da renda fixa está perdendo para a inflação, mesmo os títulos indexados ao CDI. A opção é por títulos indexados ao IPCA. Como os juros tendem a subir mais ainda, deve haver a redução da inflação, criando oportunidades de ganhos na renda fixa. Considere que o valor nominal da carteira de renda fixa cai com a subida de juros. 

Isso é visto de maneira mais evidente no valor das cotas de fundos que fazem a atualização com base nos preços de mercado. Para a parte da carteira de renda variável, reduza sua exposição. Reveja os títulos em que está investido, defina preços-alvo no caso de novas compras. 

Estabeleça a estratégia de stop loss móvel, que busca maximizar ganhos e travar as perdas. Você comprou ação a R$ 100, estabeleça ordem automática de venda caso caia para R$ 95. Caso suba para R$ 110, a ordem de stop loss pode ser alterada para R$ 105 e, assim por diante, a ordem de venda vai sendo alterada. Você estará obtendo ganhos e limitando o risco de queda. 

Busque aproveitar as oportunidades, mas seja disciplinado ao administrar sua exposição do lado negativo. Lembre-se de preservar a sua estratégia e não confiar na emoção. Foque nos setores que se saem bem no ambiente de inflação, como os de energia, financeiro e tecnologia. As empresas de tecnologia tiveram excelente desempenho em 2020, caíram, mas começam a mostrar vitalidade. As empresas que consideram ESG também são boas alternativas. 

Qualquer que seja a sua posição, é importante buscar adiar consumo e gerar oportunidades para economizar. Todos os investidores precisam estar cientes das oportunidades e riscos de navegar em um ambiente inflacionário.

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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