finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Imagem Renato Cruz
Colunista
Renato Cruz
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Como virar 'memis'

Antônio Carlos Bernardo Gomes, o Mussum dos Trapalhões, morreu em 1994, mesmo ano em que foi criada a Netscape, empresa que inventou o navegador responsável por tornar a web um sucesso mundial. Naquela época, nem havia ainda internet comercial no Brasil. Só no ano seguinte começou o movimento que levou à criação de provedores de acesso por todo o País.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2014 | 02h04

Apesar disso, Mussum se tornou um sucesso da internet brasileira. O último capítulo de sua recém-lançada biografia Mussum forévis: samba, mé e Trapalhões (LeYa), escrita pelo jornalista Juliano Barreto, mostra como isso aconteceu. Centenas de fãs se apropriaram de sua imagem e de suas frases, e criaram novos contextos para fazer piada no estilo do comediante. Mussum virou "memis".

Memes são ideias que se espalham de pessoa a pessoa e ganham popularidade. Como destacou Barreto, o termo foi tirado do livro O gene egoísta, do biólogo Richard Dawkins. Meme é o equivalente cultural do gene, que se autorreplica, sofre mutações e reage às pressões seletivas do ambiente.

Segundo o autor da biografia, o marco zero do sucesso do comediante na rede foi a publicação no YouTube do quadro Mussum armando uma pindureta, em novembro de 2006. No vídeo, Mussum tenta deixar para outro dia o pagamento de sua conta num bar.

É fácil as pessoas reproduzirem as piadas da cena em suas vidas. Muita gente viu o quadro e começou a usar "pindureta" como sinônimo de calote. Ou a chamar a garrafa de cerveja de "ampolis", como faz Mussum. O vídeo teve mais de 3,4 milhões de visualizações.

O perfil no Twitter @MussumAlive, criado por um fã, tem 109 mil seguidores. Nos 15 anos da morte do comediante, as pessoas publicaram frases no Twitter com a expressão #MussumDay, que passou o dia em primeiro lugar na lista mundial dos termos mais comentados do serviço.

Em 2009, quando o Rio foi escolhido para sediar a Olimpíada de 2016, o ilustrador Rodrigo Hashimoto criou uma nova versão para o pôster de campanha de Barack Obama. Ele substituiu a foto do presidente americano por uma do Mussum, e o slogan "Yes, we can" por "Yes, we créu" (numa referência ao funk Dança do Créu). O sucesso foi além da internet e o pôster virou até camiseta.

O escritor de tecnologia Clay Shirky disse, certa vez, que criar um LOLcat (piada com uma foto de gato e uma frase escrita em inglês errado) é melhor do que assistir ao melhor programa de televisão. Ele falou isso para valorizar o trabalho das pessoas comuns na rede. Mas não é bem assim.

Em tempos de internet, tem muito valor o conteúdo profissional que consegue virar matéria-prima de criação para amadores.

Tudo o que sabemos sobre:
Renato Cruz

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.