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Companhias aéreas latinas terão prejuízo em 2007, diz Iata

Entidade internacional do setor estima perdas de US$ 100 bi e pequena recuperação em 2008 para empresas

Jamil Chade, do Estado, Agencia Estado

11 de novembro de 2007 | 15h30

As companhias aéreas latino-americanas irão terminar o ano com um prejuízo acumulado de US$ 100 milhões, enquanto o setor nos demais continentes registrará o primeiro resultado positivo desde o início da década. A previsão é da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), que em sua avaliação sobre a aviação na região aposta em uma pequena recuperação para o setor em 2008. Para o presidente da entidade com sede em Genebra, Giovanni Bisignani, o setor aéreo latino-americano conta com exemplos positivos, como Lan Chile, TAM e a panamenha Copa Airlines. Juntas essas três empresas somam uma capitalização de mais de US$ 9 bilhões em 2007. Mas o mercado também está sofrendo com a crise em várias companhias que lutam para se reestruturar, como a Varig e Aerolineas Argentinas. "Algumas empresas estão em grandes dificuldades financeiras", admitiu Bisignani em um comunicado.Parte do problema, segundo o executivo da Iata, seriam as exigências colocadas pelos governos e os impostos cobrados sobre o setor. "A liderança empresarial é forte. Mas as políticas governamentais são inconsistentes e fracas", alertou. "Para que haja uma indústria saudável financeiramente, os líderes políticos precisam saber o que está ocorrendo", afirmou, lembrando que o setor emprega 2,7 milhões de pessoas na região e movimenta US$ 157 bilhões.A Iata critica, por exemplo, as taxas "ilegais" cobradas no Brasil com o Adicional de Tarifas Aeroportuárias (Ataero), o aumento de 150% nos custos para se operar em alguns aeroportos do continente e os mais de US$ 160 milhões em impostos cobrados pelos governos para a segurança."Os governos precisam entender que monopólios no setor de infra-estrutura não são vacas leiteiras para gerar recursos. Para conseguir o maior benefício na aviação, precisamos de políticas transparentes que resultem em infra-estruturas eficientes", disse o presidente da Iata. Bisignani não poupa a região em termos de segurança. "2006 foi o ano mais seguro na aviação, com apenas um acidente a cada 1,5 milhões de vôos. Mas o desempenho da América Latina não foi bom: um acidente para cada 550 mil vôos. Esse resultado é uma vergonha para a região. O continente conta com 5% do tráfico e 14% dos acidentes no mundo", disse. Para 2008, a expectativa da entidade é que o déficit na região se transforme em um superávit de quase US$ 100 milhões. Mas isso a IATA insiste que o valor ainda seria modesto em comparação ao que representa a indústria. Pelos cálculos de Bisignani, a região representaria 1,2% dos lucros do setor mundial. Mas seria responsável por 5% do tráfico internacional de passageiros. "Há ainda um desequilíbrio nos resultados", afirmou. Se a região ainda patina, o setor aéreo mundial começa a respirar aliviado. Pela primeira desde 2000, a indústria registrará lucros em 2007. As estimativas são de US$ 5,6 bilhões. Nos últimos seis anos, os prejuízos acumulados foram de US$ 40 bilhões, exigindo um incremento de 56% na produtividade e redução de custos de 13%. Para 2008, a previsão é de lucros de US$ 7,8 bilhões. Mas o resultado pode mais uma vez ser afetado pelos preços do petróleo, em plena alta. Em 2007, as empresas aéreas pagarão US$ 132 bilhões em combustível, 28% dos custos de operação das companhias.

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