Companhias aéreas mudam regras na oferta de poltronas grátis na primeira classe

Companhias aéreas mudam regras na oferta de poltronas grátis na primeira classe

Cada vez mais as companhias preferem cobrar para efetuar tais alterações a oferecer o serviço de luxo a passageiros frequentes

The New York Times

26 Julho 2016 | 13h40

As mordomias de ser um viajante aéreo frequente não são mais tão valiosas quanto costumavam ser. Isso fica claro para quem deseja conseguir uma mudança gratuita para a primeira classe. Cada vez mais as companhias aéreas preferem ser pagas para efetuar tais alterações. Assim, elas estão usando ofertas de última hora para levar os passageiros a pagar e passar à frente do avião, enquanto os viajantes frequentes permanecem impacientes na lista de espera.

Foi assim que Caroline Libresco, cineasta de documentários e diretora de programação do Instituto Sundance, de Los Angeles, pagou apenas US$ 50 recentemente para mudar de categoria numa das pernas de sua viagem econômica de ida e volta por US$ 388 para a primeira classe, pela Alaska Airlines, de Burbank, Califórnia, para Seattle. Quando reservou a passagem, os bilhetes reembolsáveis da primeira classe eram oferecidos a US$ 900.

Como funcionária de uma entidade sem fins lucrativos, "eu sempre viajo na econômica" e nunca compraria uma de primeira classe pelo valor integral, diz Caroline.

Viajantes frequentes também costumam ver essas ofertas de mudanças baratas de classe. Mas trata-se de uma questão de gastar dinheiro por uma mordomia que antes poderia ser conquistada mais facilmente de graça.

Vejamos o caso de Dan Pellegriti, vendedor da Cambridge International Securities, de Westport, Connecticut, que chega a voar 320 mil quilômetros por ano.

"Quando reservei meu assento, recebi uma oferta de pagar pela mudança para a primeira classe. Então, quando fiz o check-in 24 horas do voo, recebi outra oferta", conta Pellegriti, ao descrever uma viagem recente.

No passado, ele provavelmente teria ganhado a mudança como cortesia.

A mudança de poltronas da primeira classe gratuita para paga vem acontecendo gradualmente ao longo dos últimos anos. Ela tem tudo a ver com as tentativas das companhias aéreas de extrair mais dinheiro dos viajantes sempre que possível, neste caso monetizando a chance das vazias e espaçosas poltronas e do serviço requintado da primeira classe.

"Quando paguei US$ 90 pela mudança para a primeira classe em um voo no mês passado, significou que alguém não a recebeu de graça", diz Seth Kaplan, editor da "Airline Weekly", publicação especializada no setor.

No passado, as empresas usavam uma abordagem mais brusca, explica Kaplan, cobrando pelo bilhete de primeira classe de voos domésticos de três a quatro vezes o valor da classe econômica. Como resultado, muitos não eram vendidos. Assim, as companhias davam esses assentos vazios para viajantes frequentes como recompensa e para estimular sua fidelidade.

Em 2011, por exemplo, somente 14% das poltronas da primeira classe da Delta Air Lines foram pagos. O resto foi dado ou permaneceu vazio.

Reconhecendo que esse não era um uso rentável da propriedade do avião, a Delta e o resto do setor começou a procurar maneiras de ganhar receita com um número maior desses lugares, ainda que significasse reduzir a distância de preço entre a primeira classe e a econômica.

As ofertas estão dando certo. No ano passado, pouco mais da metade dos passageiros da primeira classe da companhia pagaram para sentar ali. Até 2018, a Delta espera que essa porcentagem suba para 70%, o que deixaria menos de um terço dos melhores lugares disponíveis para mudanças gratuitas. Outras grandes empresas aéreas, incluindo United e American, mencionam alterações semelhantes.

"Nós preferimos que os passageiros paguem um pouco e saibam que têm um lugar na frente em vez de ficar em uma lista de espera, decepcionando-se ao não receber uma mudança de classe", afirma Andrew Wingrove, diretor-geral de comercialização da Delta.

Assim, viajantes frequentes como Pellegriti têm de aprender a fazer uma nova conta. Eles devem avaliar o risco de não receber a mudança e comparar com o preço de um lugar garantido na primeira classe.

Para voos mais curtos, Pellegriti acha mais provável arriscar as chances ficando na lista de espera por uma mudança gratuita. Uma de suas rotas típica, ida e volta de Newark, Nova Jersey, para Miami, custa em torno de US$ 400.

Ao efetuar a reserva, ele costuma ver a oferta de mudar de classe em cada perna da viagem por um valor entre US$ 200 e US$ 300. Perto do embarque, ele pode receber a mesma oferta por US$ 129 o trecho. Mesmo assim, prefere arriscar as chances na lista de espera gratuita.

Já quando o voo é mais longo, como entre Newark e Los Angeles, Pellegriti se sente mais disposto a pagar pelo conforto. Uma passagem de ida e volta de US$ 550 pode ser incialmente ofertada com uma mudança de classe de US$ 650 em cada perna, mas o valor pode cair para US$ 279 perto da hora do embarque. É nessa hora que ele pode aproveitar.

"Não me importo com voos curtos na classe econômica, mas no caso de atravessar os Estados Unidos, prefiro pagar pela garantia de estar na primeira classe. Odeio ficar zanzando pelo portão e ver que não entrei na lista", afirma Pellegriti.

Dependendo do seu status dentro da empresa aérea, o viajante pode ser incluído na lista de espera de mudança gratuita durante a reserva ou quando chega ao portão de embarque. Vários fatores determinam quem nessa ficará com o lugar cobiçado na frente da cabine - incluindo a frequência com que voa pela companhia, quanto pagou pelo bilhete e o número de poltronas à venda na primeira classe.

"Ainda ganho mudanças de classe em voos curto, mas isso raramente acontece nos transcontinentais", diz Daniel J. Korn, de Nova York, profissional de marketing da Havas Worldwide que viaja constantemente a negócios. Korn costuma viajar na econômica, a menos que ganhe uma mudança de classe.

As companhias estariam mais preocupadas em perder viajantes frequentes se achassem que eles têm mais alternativas. Kaplan diz que a consolidação do setor deixou os consumidores com pouca influência. "Um viajante frequente infeliz tem menos opções do que antigamente."

Algumas empresas deixam os passageiros fazerem uma oferta pela mudança de classe, aceitando as maiores. A Hawaiian Airlines anunciou recentemente um novo serviço de leilão, permitindo que os clientes dessem lances pela mudança para a primeira classe em voos entre o Havaí e o continente americano por e-mail com dez dias de antecedência.

As companhias aéreas também estão lançando formas mais baratas de trocar de classe. Clientes da israelense El Al podem dar lances por poltronas na classe executiva ao reservar a passagem.

Tudo isso faz parte de uma estratégia de segmentação de clientes que as grandes empresas estão adotando. Tradicionalmente, os passageiros só tinham duas escolhas: primeira classe ou econômica. Mas as novas gradações incluem poltronas "econômicas especiais" com um pouquinho mais de espaço para as pernas e outras pequenas mordomias.

No caso de alguns viajantes frequentes, como resultado, a novidade é um preço menor para a mudança automática para a econômica especial. Um viajante de nível alto da United, American e Delta que compre um bilhete regular na econômica pode escolher um lugar na seção especial.

Nancy Brown, geneticista molecular de Davis, na Califórnia, viajante frequente da United, sempre é mudada automaticamente para a econômica especial. Quanto a um upgrade para uma fugidia primeira classe, ela prefere ficar na lista de espera, e ignora as ofertas para pagar pelo privilégio. "Eu espero para ver no que vai dar", afirma.

 

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