Companhias retomam destaque no ranking

Sem premiação em 2015, Econ e Dialogo conquistam 4º e 9º lugar entre incorporadoras

Patrícia Büll / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2016 | 05h35

Econ e Diálogo são exemplos de empresas do setor imobiliário que souberam se reinventar e manter o crescimento apesar da crise político-econômica que assolou o País. As duas retomam posições de destaque entre as incorporadoras no Top Imobiliário 2016 – respectivamente, em 4º e 9º lugar –, depois de ficarem ausentes da premiação em 2015.

Ambas também se classificam – na 7ª e 10ª posição – no ranking das dez construtoras com melhor desempenho na capital e Região Metropolitana de São Paulo, conforme números registrados pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio.

Segundo a Embraesp, a Econ lançou seis empreendimentos em 2015, com 9 blocos e 1.149 apartamentos, totalizando 104 mil m² de área construída e valor total de R$ 285 milhões.

A estratégia foi manter o foco no segmento econômico, com tíquete enquadrado no Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). “Desta forma, foi possível aproveitar os juros baixos oferecido pelos bancos que atuam nessa linha de crédito”, afirma Gil Vasconcelos, diretora de incorporação da Econ e da Atua – esta também premiada, ocupando o 6º lugar no ranking das incorporadoras.

Ela conta que a as duas empresas atuam no mesmo segmento imobiliário. Entretanto, a Atua faz parte de uma joint venture com a Yuni. “O que difere uma empresa da outra é apenas a aquisição de terrenos. As duas seguem a mesma estratégia de negócios”, acrescenta Gil.

Além da atuação dentro do MCMV, as incorporadoras também venderam no ano passado unidades com tíquete médio entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, que se enquadram no Sistema Financeiro Habitacional (SFH).

Com isso, é possível atender a uma parcela da população onde o déficit habitacional continua intenso, diz a executiva, e a parcela de pagamento “cabe no bolso do cliente”.

O resultado é que tanto a Econ quanto a Atua tiveram faturamento maior em 2015 em comparação com o ano anterior. Juntas, obtiveram crescimento em vendas, lançamentos e valor geral de vendas (VGV).

No ano passado, houve crescimento de 16% nas unidades vendidas (de 2.082 para 2.431); 15% no VGV vendido (de R$ 527 milhões para R$ 609 milhões); 50% nas unidades lançadas (de 1.381 para 2.072) e 30% no VGV lançado (de R$ 388 milhões para R$ 504 milhões).

Gil cita como exemplo de sucesso, em 2015, o In Parque Belém. Lançado pela Atua, o empreendimento prevê seis condomínios, dos quais quatro foram lançados e vendidos totalmente no ano passado.

“Em um único final de semana vendemos 850 unidades”, comemora Gil. O sucesso do empreendimento tem a ver com a localização: próximo ao Metrô Belém e a 500 metros do Parque Belém, servido pelos Shopping Metrô Tatuapé e Boulevard Tatuapé, além das principais vias de acesso a toda a cidade.

O desafio, agora, diz Gil, é comprar terrenos com preços baixos para viabilizar projetos econômicos, que se encaixem no programa MCMV. “E, claro, temos de torcer para que o programe continue”, diz.

Valorização. Para outra vencedora do Top Imobiliário, a Diálogo, o desafio no segundo semestre e no próximo ano será lançar imóveis com preços competitivos, para que o cliente perceba valorização ao longo da obra e não desista do imóvel na entrega das chaves.

“O ano passado e o anterior foram marcados por um crescimento muito alto do número de distratos”, afirma o diretor de incorporação da Diálogo, Fábio Magalhães Verçosa, referindo-se ao pedido para o cancelamento da compra. Isso, segundo ele, foi motivado tanto pela queda da renda quanto pela desvalorização do preço do imóvel ao longo da obra. “Nosso desafio é inverter essa equação e voltar ao patamar anterior à crise.”

Ele explica que o movimento normal do mercado imobiliário é o cliente comprar na planta e ver a valorização ao longo da obra. Assim, na entrega das chaves, uma unidade nova custará mais do que aquela que ele comprou no início da construção.

“Essa é a vantagem de se adquirir o imóvel na planta”, diz. “Mas desde 2014, e mais fortemente no ano passado, com o desaquecimento do setor, muitos imóveis quando ficaram prontos estavam custando menos do que o similar de quem investiu na planta.” Por isso, segundo Verçosa, na entrega das chaves o comprador desistia. “Isso elevou muito o número de distratos.”

No caso da Diálogo, o volume de distratos aumentou 10% na passagem de 2014 para 2015. “De um índice que já vinha alto”, salienta ele, sem revelar a quantidade. “Desde 2013 já projetávamos que os anos seguintes seriam complicados”, diz Verçosa. “Por isso, nossa estratégia desde então – e que se repetiu no ano passado – foi diminuir nossos custos.”

“É uma honra receber esse prêmio de tanto valor para o setor e voltar a figurar entre as 10 incorporadoras mais importantes de SP”


Fábio Magalhães Verçosa


DIRETOR DA DIÁLOGO

“Prêmio reconhece esforço em adequar os produtos


ao cliente e confirma


a aposta feita em segmento carente de habitação”


Gil Vasconcelos


DIRETORA DA ECON E ATUA

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