Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Comparativo internacional expõe os limites do País

Estudo da Economist Intelligence Unit mostra que o Brasil seria o último colocado no ranking de competitividade da OCDE

José Fucs, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 05h00

Apesar dos avanços de alguns Estados nos últimos anos, o Brasil como um todo ainda tem um duro caminho pela frente para melhorar a sua competitividade. Até porque, em vez de andar para a frente, o País está dando marcha à ré nesse quesito. Em 2017, segundo o Relatório de Competitividade Global, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, o País passou de 75.ª para 81.º lugar na lista, que engloba 138 países.

Outro estudo, feito com exclusividade para o Centro de Liderança Pública (CLP) pela Economist Intelligence Unit (EIU), área de pesquisas e análises do grupo controlador da revista The Economist, revela que o Brasil ocuparia o último lugar no ranking de competitividade da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 34 países desenvolvidos e emergentes.

De acordo com a pesquisa da EIU, baseada em 35 dos 66 indicadores usados pelo Ranking de Competitividade dos Estados brasileiros, o País ficaria atrás de México, Chile, Turquia e Grécia. A média geral do Brasil seria equivalente a 60% da média dos países que integram a OCDE. “É um desempenho decepcionante”, diz o diretor da EIU no Brasil, Marcio Zanetti. “O País tem potencial para apresentar resultado muito melhor.”

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Zanetti afirma que, apesar de o Brasil ainda ter um custo de mão de obra competitivo em moeda forte, a produtividade é muito baixa, em razão da falta de qualificação dos trabalhadores e os tributos são altos e complexos. Ao mesmo tempo, os investimentos em infraestrutura, são bem menores do que deveriam ser. Nos últimos governos, como predominava a visão de que o Estado deveria ter papel preponderante na economia e faltavam recursos públicos para os investimentos necessários, as carências do País em infraestrutura se agravaram, em especial a partir do segundo mandato de Lula. A falta de regras estáveis para as de concessões de serviços públicos também desestimulava a participação da iniciativa privada. “As grandes empresas evitavam entrar em concessões, porque não sabiam como seria o dia seguinte”, afirma Zanetti.

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Trânsito. Em sua avaliação, o desempenho sofrível do Brasil na área de segurança contribui de forma decisiva para reduzir a competitividade do País no mercado internacional. A taxa de homicídios do Brasil, de 26,5 por 100 mil habitantes, é 10 vezes maior do que a média da OCDE, segundo o levantamento da Economist. Só três Estados brasileiros – São Paulo, com 8,9, Santa Catarina, com 12,1 e Roraima, com 14,6 homicídios por 100 mil habitantes – têm uma taxa inferior à do México, último nesse indicador na OCDE.

No Rio, o índice de homicídios é de 25,4 para cada 100 mil habitantes e em Sergipe, o último da lista entre os Estados, chega a 53,4. Só para efeito de comparação, a taxa é de apenas 1 homicídio por 100 mil habitantes na Austrália e de 4,9 nos EUA.

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Quando se analisa o número de mortes no trânsito, o cenário é semelhante. O Brasil, segundo o estudo da EIU, registrou 23 mortes no trânsito por 100 mil habitantes em 2015, último dado disponível, três vezes a mais que a média da OCDE. O Estado com o menor número de mortes nesse quesito – 18 a cada 100 mil habitantes – é São Paulo. Piauí, com 75, o pior. Na Dinamarca, o índice é de 3,5, na Áustria, 5,4 e nos EUA, 10,6 mortes, menos da metade que o do Brasil.

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O mesmo acontece na área de educação. Em 2015, o levantamento mais recente, o Brasil ficou entre os últimos colocados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos Pisa), que mede o nível educacional de jovens de 15 anos por meio de provas de Leitura, Matemática e Ciências. Entre 69 países, ficou em 61.º lugar em Leitura, 64.º Matemática e 62.º em Ciências. 

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