Foto: Rafael Arbex / ESTADAO
Foto: Rafael Arbex / ESTADAO

Compartilhar é a tendência do futuro

Cada vez mais, as pessoas com interesses comuns buscam dividir espaços e serviços na busca pela otimização do tempo e redução de custos

Raquel Brandão, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2017 | 05h00

Compartilhar é o conceito que deve permear os mercados nos próximos anos, incluindo o imobiliário. A cada dia mais espaços e serviços de compartilhamento aparecem, criando grupos de pessoas que se reúnem física ou virtualmente por um interesse em comum. São coworkings (espaços compartilhados por pessoas que trabalham por conta própria ou em pequenos grupos), lavanderias coletivas ou serviços de compartilhamento de veículos, por exemplo. 

No Brasil, o consumidor já está bem adaptado a esse modelo de serviços, como o Netflix, o Spotify, o Uber ou o Airbnb – que tem a 3.ª maior cidade em números de quartos no Brasil, o Rio de Janeiro. Além disso, um estudo elaborado pela escola de negócios IE Business School, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério da Economia e Competitividade da Espanha apontou que o País abriga 32% das iniciativas colaborativas da América Latina. 

O designer e fundador da House of All, Wolf Menke, aponta que o conceito de sharing economy é ainda mais antigo. “Não é uma inovação, sempre aconteceu e em algum momento isso se perdeu. É a batedeira que eu buscava emprestado da vizinha para minha avó fazer bolo e depois, em troca, levava o liquidificador para ela fazer uma vitamina. Além disso, esses serviços se assemelham a clubes. Você paga e tem acesso à piscina, à quadra, etc.” 

Para ele, a ideia que passa a valer é a do acesso prevalecer sobre a posse e, assim, a House of All se expandiu para a House of Food, House of Learning, House of Bubble.

Segundo Menke, a economia compartilhada tem três tripés que podem criar novos caminhos para o setor imobiliário: zerar a subutilização de recursos, descentralizar e criar relacionamentos de confiança. “Ao dar mais voz às necessidades de serviços dos consumidores, as empresas podem ter mais rentabilidade com ganhos marginais do que só com a ideia de posse.” 

Para o gerente da área de mobilidade, da Frost & Sullivan na América Latina, Yesmant Abhimaniu, a integração dos espaços e serviços é mesmo o futuro. “As cidades do futuro são as cidades dos consumidores”, acredita. Abhimaniu aponta que a sociedade está assimilando o conceito de bricks and clicks, em que a preferência, por exemplo, parte do maior para menor, do hipermercado para o mercado de bairro. São escolhas mais adaptadas às demandas de cada um. 

Conhecer o consumidor. Na medida em que os consumidores terão produtos adaptados a seus interesses e demandas, é cada vez mais importante para as empresas conhecer o perfil de seus potenciais clientes – o que, em geral, é uma das maiores dificuldades do mercado. 

De acordo com Renato Meirelles, presidente do Instituto de Pesquisa Locomotiva, apesar da crise econômica, 4,8 milhões de brasileiros querem comprar imóveis nos próximos 12 meses, mas os anúncios não têm conversado com esse público. Outro fator importante, segundo Meirelles, é olhar para o poder aquisitivo do consumidor sem ignorar o capital cultural e seus hábitos. “Hoje, nas classes A e B, dois terços não têm faculdade, 61% usaram transporte público nos últimos meses e a grande maioria nunca saiu do Brasil.”

Para ajudar a entender quem é esse consumidor, o presidente executivo da Moving Imóveis, Ado Fonseca, aposta na análise de dados, especialmente nos gerados pelo uso de smartphones. “No caso do setor imobiliário, a geolocalização, por exemplo, é essencial. No Moving, estamos começando a monitorar o comportamento do usuário, obviamente com seu consentimento.”

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