Competição ameaça interromper retomada da produção do País

Mercado brasileiro de sardinha é disputado pelo Peru, que tenta vender sua anchoveta como 'sardinha peruana'

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h07

A competição causada pelos peixes exportados pela China, Vietnã e Tailândia ameaça interromper o processo de recuperação da produção nacional de pescado, após anos de problemas com a pesca excessiva e invasão de barcos internacionais na costa brasileira. Esta é a avaliação do presidente do Conselho Nacional da Pesca (Conepe), entidade que reúne as principais empresas do setor, Fernando Ferreira.

A produção nacional de sardinha, por exemplo, que chegou a cair para 30 mil toneladas por ano em 2000, promete render 140 mil toneladas neste ano. Segundo Ferreira, a inexperiência do produtor nacional, falta de manejo ambiental e a pesca feita por barcos angolanos na costa brasileira quase dizimaram os cardumes do País.

O mercado brasileiro de sardinha vem sendo disputado de forma acirrada pelo Peru, que deseja exportar a espécie conhecida como anchoveta carimbada como "sardinha peruana".

O país chegou a vencer uma disputa comercial com a União Europeia na Organização Mundial do Comércio (OMC), conseguindo vender seu peixe como sardinha nos supermercados europeus, mas o Brasil resiste a permitir ação semelhante.

OMC. O Peru já questionou o Brasil no Comitê de Barreiras Técnicas da OMC sobre a política do País em relação à anchoveta e pode iniciar um contencioso baseado em sua vitória anterior sobre a União Europeia. Na avaliação do setor privado, não é possível atender o pleito peruano. "O problema não é importar, mas deixar que entre um peixe que vai enganar o consumidor", avaliou Ferreira, do Conepe.

O Brasil importa atualmente sardinha congelada, que serve de insumo para a indústria enlatadora. A proposta do Conepe, que tem apoio da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do governo, é a permissão de cotas de importação da sardinha congelada.

Agora, o conselho quer criar um "estoque regulador", para impedir que o setor volte a entrar em colapso como no início da década. "Se aumentar muito o programa de pesca, vai haver problema ambiental", disse Ferreira. / I.D.

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