Competição cresce com os recursos das cadernetas

A captação líquida de depósitos de poupança, de R$ 1,74 bilhão, em janeiro, com crescimento ininterrupto durante os últimos 23 meses, ajudou a criar uma "sobra" nos bancos de recursos destinados ao crédito imobiliário. Mas, se o excesso de disponibilidades pode causar problemas de aplicação para alguns bancos, tende a ser benéfico para os tomadores, pois estimula a concorrência entre as instituições e provocará, na melhor das hipóteses, uma diminuição dos custos dos empréstimos.

O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2014 | 02h04

O saldo de recursos depositados nas cadernetas, inclusive na poupança rural do Banco do Brasil, atingiu R$ 603 bilhões em 2013, com evolução recorde em relação a 2012. Janeiro, historicamente, é um período em que as retiradas superam os depósitos, pois se acumulam as despesas com IPTU, IPVA, férias e despesas com educação. Mas tanto em janeiro de 2013 como em janeiro de 2014 houve superávit. As famílias reforçaram os depósitos de poupança após a mudança das regras, em maio do ano passado.

Nos maiores grupos financeiros privados, a relação entre o dinheiro depositado nas cadernetas e o montante dos recursos emprestados a mutuários finais e construtores é da ordem de 3 para 1. Ou seja, há um enorme espaço para a oferta de crédito exclusivamente com recursos das cadernetas. Em outros bancos, a relação é mais apertada, mas, enquanto as cadernetas se mostrarem atrativas, as campanhas de captação encontrarão um campo fértil. No Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) como um todo, havia, em dezembro do ano passado, R$ 467 bilhões em depósitos de poupança, para um total de empréstimos de R$ 395,2 bilhões, segundo o jornal Valor.

Entre 2012 e 2013, os empréstimos habitacionais cresceram quase 32%, porcentual que tende a cair, neste ano, com o ritmo mais fraco da atividade econômica. Isso já teria ocorrido em janeiro, um mês em que sazonalmente cai o nível de operações. Em janeiro de 2013, por exemplo, foram realizadas apenas 6,7% das operações do ano, 20% abaixo da média mensal.

Da fartura de recursos em poder dos bancos dependerá o ritmo da atividade imobiliária neste ano. O que não basta para assegurar um crescimento expressivo, como em 2013. Para que não haja desaceleração, construtoras e incorporadoras terão de manter os lançamentos e os mutuários terão de confiar na preservação do emprego e da renda, neste e nos próximos anos.

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