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Competição infla os preços das empresas|

Com a crise aguda nos EUA e na Europa, Brasil surge como um novo Eldorado para grandes fundos globais e locais

, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2010 | 00h00

A crise financeira deixou a indústria de private equity fragilizada, especialmente nos mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa. Com a falta de oportunidades nesses lugares e o Brasil despontando como novo Eldorado de prosperidade nos negócios, grandes fundos de participação globais passaram a aplicar parte de seu dinheiro aqui. Fundos locais também conseguiram aumentar sua captação para aproveitar a nova onda.

Esse entusiasmo acabou se refletindo nos preços das empresas. Para um executivo do setor, as estreantes estão pagando um "pedágio" para entrar no mercado. "Com o aumento da competição, os fundos estão pagando, em média, dez a 12 vezes o Ebitda, quase o dobro de cinco anos atrás", diz Patrice Etlin, sócio do escritório brasileiro da Advent, uma das maiores gestoras de recursos do mundo. "São múltiplos parecidos com os das small caps da Bovespa, que estão com níveis recordes de preços."

Estabelecido há um ano, o fundo Kinea, do Itaú, adotou como estratégia a compra de participações minoritárias para fugir dos preços exagerados. "Hoje, os preços da aquisição de controle estão muito altos. Nenhum empresário vai vender um negócio saudável, em uma economia em expansão, por um baixo preço", explica Cristiano Lauretti, responsável pela área de private equity do Kinea.

Fernando Borges, diretor do Carlyle, concorda que os preços têm aumentado. Mas pondera: "Não existem mais barganhas, mas também o risco hoje é bem menor. O cenário macroeconômico é muito mais amigável e o mercado de capitais muito mais desenvolvido."

Carlos Fonseca, sócio do BTG Pactual responsável pelo Merchant Banking, reconhece que tem esbarrado em mais concorrentes na procura por ativos. "Mas, com o suporte das outras áreas do banco, conseguimos evitar os processos competitivos. De todos os negócios fechados, só um teve disputa com outros concorrentes", diz.

Volta para casa. A emergência do setor motiva a volta de profissionais que atuavam no exterior. O diretor da área de private equity da gestora brasileira Rio Bravo, Paulo Silvestri, voltou ao País em 2009, após 17 anos de atuação em países como EUA e Alemanha. Quando chegou, a Rio Bravo administrava R$ 240 milhões em recursos. Agora, a empresa já captou um fundo de R$ 600 milhões voltado à área de energia. Em 2011, o objetivo é atingir R$ 1 bilhão em recursos administrados. "Voltei acreditando nessa mudança de patamar. O mercado daqui será mais interessante do que o de fora por um bom tempo. É um salto qualitativo histórico", diz Silvestri.

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