Competição mundial igualitária depende de inclusão do Bric

A consolidação de um sistema de poder multilateral no mundo, no qual nações desenvolvidas e emergentes possam competir igualitariamente e debater de forma equânime as grandes questões globais, depende, primordialmente, da inclusão dos países que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) nas grandes esferas de poder do mundo globalizado. A avaliação foi feita nesta segunda-feira pela ministra de Relações Exteriores do Reino Unido, Margaret Beckett.Em visita a São Paulo, a ministra ressaltou o papel do Brasil na maior integração das nações e destacou a necessidade de uma maior convergência nos grandes objetivos das nações, que, cada vez mais, partilham as mesmas preocupações e problemas."A globalização de economias e a globalização de ameaças requerem uma resposta também globalizada: em outras palavras, o multilateralismo. Todavia, o reconhecimento disso é apenas o primeiro passo, ainda que vital. A principal tarefa será criar um sistema multilateral em cujo funcionamento possamos confiar", disse, em palestra que concedeu na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.Principais questões Para ela, duas das principais questões que serão enfrentadas, de forma semelhante, por países emergentes e desenvolvidos é o da crescente necessidade de consumo energético e seu impacto sobre o clima."Tomemos o grupo Bric como exemplo. Ele abrange 43% da população mundial. De acordo com a Agência Internacional de Energia, entre 2002 e 2030, a demanda de petróleo nos países que integram o grupo deverá passar de 12,2 milhões de barris ao dia para 26,7 milhões", lembrou, destacando que essa situação levará os países do grupo a responderem por 32% das emissões de dióxido de carbono até 2030 - número que hoje é de 15%."Os números deixam perfeitamente claro que qualquer iniciativa internacional futura para enfrentar essas questões interligadas referentes à segurança climática e energética deve funcionar tanto para o Brasil quanto para outras economias emergentes", afirmou.De acordo com ela, o mesmo princípio - de cooperação e poder de decisão mútuos - deve ser aplicado à agenda econômica internacional. Para tanto, segundo a ministra, é necessário que se faça uma revisão dos organismos multilaterais para que se atenda esse cenário de emergência de novas potências econômicas globais."O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outras instituições multilaterais precisam não só definir seus respectivos papéis de forma mais clara e cooperar de forma mais efetiva, mas também renovar sua governança para que representem a totalidade de seus membros. No caso do FMI, isso significa aumentar a cota dos países que se encontram sub-representados e cumprir nosso antigo compromisso de fortalecer a voz dos países em desenvolvimento", concluiu.

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