Competitividade da agricultura faz País superar crises, diz Dilma

Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, lançado pela presidente, prevê valor recorde de R$ 115 bi para crédito rural

RAFAEL MORAES MOURA, VENILSON FERREIRA/ BRASÍLIA. , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h07

A presidente Dilma Rousseff aproveitou ontem o lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013 para dizer que o nível de competitividade do setor é "capaz de superar as crises" e assegurar que o Brasil é um dos poucos países que consegue criar uma proteção aos "efeitos perversos" da turbulência mundial. Pelas projeções do Banco Central, o setor agropecuário vai sofrer retração este ano de 1,5%.

"É obrigação do País ter consciência da importância e tomar as medidas cabíveis para expandir cada vez mais o caráter avançado da nossa agricultura. A agricultura no Brasil conquistou um estágio que o seu nível de competitividade é capaz de superar as crises", disse Dilma.

Conforme o Estado antecipou na terça-feira, o crédito rural, principal instrumento de política agrícola do governo federal, corresponderá a valor recorde de R$ 115,25 bilhões para financiar o plantio, a comercialização e o investimento da agricultura empresarial.

"A agricultura exerce um papel essencial no enfrentamento da crise internacional. Porque o nosso agronegócio tem potencial de gerar renda, emprego e de mostrar que o Brasil consegue criar uma relativa proteção, em relação aos efeitos perversos dessa crise de dívida soberana e de dívida bancária que afeta o mundo", afirmou a presidente.

Apesar do otimismo oficial, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou queda de 8,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor no primeiro trimestre de 2012 frente a igual período do ano passado, devido a forte quebra nas safras de soja e milho, que foi provocada pela estiagem.

Extensão rural. Dilma destacou no discurso que o governo está pensando em criar uma agência nacional de assistência técnica e extensão rural, em cooperação com os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e a Embrapa. A Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater) foi extinta no governo Collor (1990-92).

O governo aumentou em 8,4% o montante que será destinado ao financiamento de custeio e comercialização da próxima safra, para R$ 86,95 bilhões.

Os recursos das linhas de crédito para financiar o investimento no campo somam R$ 28,3 bilhões, valor 4,8% superior ao ofertado na safra passada. O governo também baixou a taxa dos juros controlados, de 6,75% para 5,5%.

Os recursos para o Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro) foram elevados em 50%, para R$ 3 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para capital de giro.

O limite de crédito por cooperativa passou de R$ 40 milhões para R$ 50 milhões, quando contratado por cooperativa central. Para a safra 2012/2013, o governo autorizou a concessão de crédito diretamente às cooperativas para saneamento financeiro.

"Depois de 20 anos, realmente, era o Plano Safra que esperávamos", disse a jornalistas a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

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