Competitividade de gás depende de regulação e preços, diz Dilma

A ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, disse hoje, em discurso durante seminário no Rio, que a competitividade do mercado de gás no Brasil depende de dois fatores: ambiente regulatório e preços competitivos. Ela considerou que, no caso do ambiente regulatório, a responsabilidade é do governo, que tem trabalhado para que o setor de gás natural tenha uma integração com outros meios de energia. Ela considerou que o modelo antigo para o setor de gás levava em conta o abastecimento das térmicas para o desenvolvimento do gás natural no Brasil - o que não ocorreu. ?Apenas colocar térmica no ponto final do gasoduto não resolve mais o problema do desenvolvimento do mercado de gás natural no País?, disse a ministra. "O mercado de gás no Brasil é incipiente. Ele é jovem e paga pelo preço dessa juventude", disse, explicando que, em outros países, demorou cerca de 100 anos para um desenvolvimento eficiente do mercado de gás natural. "Aqui nós começamos um pouco antes da década de 90", afirmou, acrescentando que o mercado argentino de gás tem cerca de um século. Dilma ressaltou como fundamental a questão do preço para o gás natural. "Nos preços atuais, o mercado de gás não é competitivo no Brasil. Só a preços competitivos esse mercado se revolve", disse. A ministra participa de seminário sobre gás natural promovido pela Coppe/UFRJ. A questão do preço do gás é fundamental na renegociação entre o Brasil e as distribuidoras bolivianas, que ocorre há alguns meses, na avaliação de Dilma. "Temos que renegociar de forma muito clara a questão dos preços com a Bolívia", afirmou. Ela lembrou que, além do preço, há que se delimitar novos valores de volume de gás comercializado entre o Brasil e a Bolívia. A ministra citou as recentes descobertas na bacia de Santos no Brasil, com quantidades expressivas de gás que "melhorarão nossa matriz, nosso mix de gás. A questão do preço e do volume tornam-se estratégicas". Ela observou ainda que a segunda maior bacia de gás natural no País localiza-se na região de Urucu, na Amazônia, e "não há nenhum megawatt de gás gerado na região". Outro ponto destacado por Dilma diz respeito às oportunidades do mercado externo para gás natural. Ela não descartou a hipótese de que o Brasil possa fazer exportação de gás liquefeito para o mercado norte-americano.

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