Competitividade demanda gestão eficiente

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Competitividade demanda gestão eficiente

Tarefa deve ser prioridade na agenda do próximo governo, com a participação do setor privado, para que o Brasil possa voltar a crescer

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, GABRIELA VIEIRA, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h09

Melhorar a competitividade do Brasil deveria ser prioridade do próximo governo. A discussão sobre o tema deixou há muito tempo de ser "se" e passou a ser "como", acordaram na terça-feira especialistas que se reuniram no Grupo Estado durante evento da série Fóruns Estadão Brasil Competitivo - Os Caminhos para o Brasil 2022, patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Também foi uníssono o discurso dos participantes em torno da necessidade de união do setor público (Executivo, Legislativo e Judiciário), setor privado e academia em torno do propósito único de se estabelecer uma boa governança para atingir a tão almejada competitividade dos fatores de produção brasileiros.

Ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso e sócio executivo da Prada Administradora de Recursos, Pedro Parente ressaltou a capacidade de execução fiscal do governo como um dos principais desafios para que o modelo de governança do País resulte em um avanço da competitividade. "É inevitável fazer a ligação entre governo e competitividade", destacou o executivo. De acordo com Parente, é impossível para o Brasil ser mais competitivo sem que haja uma melhor atuação fiscal do poder público.

Presente ao evento na condição de ministro interino do Meio Ambiente, o secretário executivo do Ministério, Francisco Gaetani, disse que a discussão sobre competitividade no atual momento do País não é mais uma questão de escolha e sim um imperativo.

"É um debate que se assemelha à maré. Ou mergulhamos todos juntos e subimos juntos com a maré ou não seremos tão competitivos quanto precisamos", alertou o secretário executivo do ministério.

Na visão dele, não basta o Brasil ser grande e importante do ponto de vista do tamanho. É preciso o País ser competitivo, justo e se integrar aos padrões que deem condições para a construção de futuro e melhoria das condições da população.

Gaetani disse ainda que todos os países competitivos do mundo têm governos fortes. "Não são governos grandes. São governos participantes e que atuam no desenvolvimento do mercado, na criação das condições do desenvolvimento social e que, claramente, dão suporte ao setor privado", disse o secretário, acrescentando que nos países competitivos há uma ação conjunta entre os setores público e privado.

Modelo. Carlos Alberto Pires, diretor da CNI, afirmou que o maior objetivo na construção de um novo modelo de governança para o Brasil precisa ser a busca por maior competitividade para a economia brasileira, tanto no cenário doméstico quanto no cenário externo.

"Precisamos de um novo modelo de governança e sabemos que essa reforma demandará novas formas de cooperação entre as esferas do governo - Executivo, Legislativo e Judiciário -, mas estamos cientes de que o empresariado precisa participar desse processo", afirmou o executivo numa clara convocação dos empresários para compor uma eventual força-tarefa para restabelecer a governança que levará à conquista da competitividade.

Lembrando que poucos dias separam o eleitor das urnas que elegerão o novo presidente da República, governadores de Estado e parlamentares, o diretor associado da Macroplan Prospectiva, Estratégia & Gestão, Gustavo Morelli, defendeu que a criação de uma agenda da competitividade para o País deveria ser uma preocupação central do governo federal no próximo ano, seja qual for o candidato eleito.

"Para nenhum dos candidatos, o desafio da competitividade é opcional", afirmou Morelli, emendando que um avanço social e econômico do País não será possível sem que haja um aumento da competitividade.

Eficiência. Marcos Lisboa, diretor vice-presidente do Insper e ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda do governo Lula, foi taxativo ao afirmar que a competitividade é fundamental para a gestão pública e para a consolidação de um Estado eficiente.

Ao longo de sua palestra, Lisboa foi bastante crítico à falta de eficiência do Estado, especialmente no que diz respeito a regras e instrumentos para o acompanhamento da eficiência das políticas públicas.

Ele usou como exemplo de prática de um Estado ineficiente a falta de monitoramento dos resultados das políticas setoriais adotadas pelo governo depois da crise econômica global de 2008. A partir daquele ano, o governo brasileiro começou a adotar políticas de incentivos a alguns setores sem nunca fiscalizar os resultados e a sua eficácia.

"Todos os países praticam de políticas setoriais, mas a tradição de se avaliar a eficiência das políticas setoriais no Brasil não funciona", criticou Lisboa.

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