Complicações para a Petrobras na Argentina

A operação de compra de 58,62% das ações de Perez Companc e de sua controladora PeCom Energia, pela Petrobras continua gerando complicações para sua aprovação pela Secretaria de Defesa da Concorrência da Argentina. O novo complicador foi uma solicitação ao governo para que este intervenha para "impedir que se conclua a venda nos termos propostos", conforme diz o documentado apresentado pelo ex-diretor do Escritório Municipal do Consumidor de Rosario, Carlos Comi, ao Enre e Enargas, órgãos reguladores de eletricidade e gás, respectivamente. O ex-diretor solicita a convocação de uma audiência pública para debater os impactos do negócio antes que este seja aprovado oficialmente. O documento diz que "se concretizar-se nos termos anunciados, a transferência de ativos geraria uma concentração contrária às normas do mercado energético e à concorrência empresárial". O presidente de uma associação civil de defesa dos direitos dos cidadãos chamada "La Comuna", Carlos Comi, reclama aos órgãos reguladores de eletricidade e de gás que "intervenham e se pronunciem, ditando a posição do Estado, algo que não fizeram até agora". A solicitação também foi encaminhada ao presidente Eduardo Duhalde e aos ministros de Economia, Roberto Lavagna, e de Produção, Aníbal Fernández.A iniciativa do ex-diretor soma-se aos protestos e lobbies de empresários como os da Associação de Industriais Metalúrgicos (Adimra), na qual empresas como Techint e Pescarmona exercem forte influência. O argumento de Carlos Comi é o mesmo utilizado pelos empresários: a venda transferiria à brasileira Petrobras participações nas transportadoras de gás (TGS) e de eletricidade (Transener e Transba) "que possuem potencial de pôr em perigo o futuro fornecimento de energia no país". Ele argumenta ainda, sem inovar o discurso empresarial argentino, que apesar da Petrobras ser de sociedade mista, "é controlada pelo Estado brasileiro" e isso "ficou bem claro quando sua diretoria mudou depois da chegada do novo governo do Brasil". Ele alega que poderia haver "um prejuízo para os clientes locais", já que o "Brasil depende fortemente da geração hidráulica para ter energia, e se faltam chuvas, pode haver falta de energia, como ocorreu em 2001". E completa que "se a Petrobras tiver de escolher, seguramente se inclinaria em levar energia da Argentina, inclusive a preços inferiores aos de mercado". O anúncio de compra da Pecom foi feito há sete meses e a empresa já se encontra sob a operação da Petrobras. Porém, o governo ainda não a aprovou.

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