Comportamento insatisfatório do crédito

O saldo total do crédito caiu 0,6% entre junho e julho, para R$ 3,061 trilhões, e 1,7% (ou R$ 54,3 bilhões) na comparação com julho de 2016

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 03h00

Caíram, entre junho e julho, tanto os saldos como as concessões de empréstimos, segundo o Banco Central (BC). Frustrou-se, assim, a expectativa de que se repetisse o bom crescimento das operações verificado entre maio e junho, o que teria permitido assegurar maior suporte à retomada econômica neste trimestre.

O saldo total do crédito caiu 0,6% entre junho e julho, para R$ 3,061 trilhões, e 1,7% (ou R$ 54,3 bilhões) na comparação com julho de 2016. Queda ainda mais intensa ocorreu nas concessões de crédito: de 12,6% entre junho e julho e de 3,1% comparativamente a julho de 2016. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o crédito caiu 0,4 ponto porcentual no mês e 2,9 pontos em 12 meses. Os números são expressivos e refletem, em especial, a diminuição da oferta de empréstimos dos bancos públicos, sobretudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O recuo foi brutal nas concessões de crédito para empresas, com queda de 23,3% entre junho e julho e de 11,8% em 12 meses. Os indicadores de crédito oferecido às pessoas físicas foram, em geral, favoráveis, mas as altas ocorreram em baixos porcentuais, com aumento dos saldos de 4,4% em 12 meses e das concessões em 4,8% no período. O avanço foi pouco superior à inflação oficial, de 2,7%.

Entre as explicações para o mau comportamento do crédito se destacam as dificuldades enfrentadas por grande parte das empresas que operam com elevada capacidade ociosa e cujo maior esforço é o de reduzir o endividamento. Além disso, a maioria dos bancos reluta em adotar políticas expansivas, evitando o risco de inadimplência dos tomadores.

As taxas de juros continuam sendo um grave empecilho à demanda de crédito. Em julho, embora o IPCA fosse baixo, os juros médios cobrados das pessoas jurídicas aumentaram 0,3 ponto porcentual. Os juros das linhas mais caras oferecidas às pessoas físicas, como as do rotativo do cartão de crédito, subiram fortemente no mês passado. O chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, disse que a alta do juro em julho foi um ponto fora da curva. Se a afirmação não se confirmar, há o risco de o crédito continuar estagnado. Em um ano e meio, a relação crédito/PIB caiu quase seis pontos porcentuais. Ou seja, cerca de R$ 340 bilhões deixaram de financiar as atividades econômicas.

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