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Comportamento mais consciente do consumidor

Mais do que o valor da prestação, o consumidor brasileiro leva em conta a taxa de juros ao tomar crédito, segundo pesquisa da Serasa Experian e do Instituto Geoc, que reúne empresas de cobrança. É um indício de que ele está se tornando mais consciente. Confirmada a tendência, haverá repercussão sobre as finanças de famílias e as condições do crédito ao consumo.

O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2011 | 03h05

O levantamento foi feito com 950 pessoas economicamente ativas das classes A, B e C, residentes nas cidades de São Paulo, Campinas, Bauru, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Goiânia, Salvador e Recife. Trata-se de uma mostra pequena, centrada nas principais regiões metropolitanas do País, ou seja, em áreas onde é maior o grau de informação de consumidores de classe média para cima, relativamente a cidades menores e distantes.

Como mostrou o levantamento, 40% dos entrevistados desconhecem o valor dos empréstimos que tomaram ou das parcelas pendentes e 20% não sabem como resolver seus problemas de endividamento ou nada vão fazer a respeito. Ainda assim, os resultados do levantamento - pelo sétimo ano consecutivo - não devem ser ignorados.

O dado significativo é que a taxa de juro figurou em primeiro lugar entre os fatores considerados na hora de tomar empréstimo, com 64% das indicações, seguindo-se o valor das parcelas (36%), o número de parcelas (22%), a rapidez na liberação (20%) e atendimento e burocracia (11%).

Se as indicações estiverem corretas, houve um avanço na percepção dos efeitos perversos provocados pelos juros altos: prestações maiores e redução da capacidade de endividamento do tomador. E que juros altos são punitivos em relação a todos os devedores, inclusive os pontuais.

O melhor sinal de que a pesquisa indica mudanças de comportamento está na tendência de acomodação da inadimplência, em níveis baixos. De fato, cerca de 60% dos entrevistados consideram que nos últimos dois anos sua situação financeira melhorou um pouco ou muito. E o endividamento tem sido mais cuidadoso.

Não há na pesquisa, reconheça-se, mudanças radicais - pois estas dependeriam de um grande avanço na educação financeira, e esta nem chegou à maioria das escolas. A percepção do impacto dos juros também depende da boa educação financeira.

Ainda assim, na medida em que o juro for fator de peso na tomada de crédito, o consumidor pensará menos se a prestação cabe na sua renda e mais no custo financeiro, como nos mercados mais desenvolvidos.

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