Compra da Aventis pela Bayer muda agroscience

O mercado brasileiro de agroscience está prestes a sofrer uma verdadeira reviravolta a partir de abril, com a completa incorporação da Aventis CropScience pela alemã Bayer. A exemplo do que acontecerá em nível mundial, a nova Bayer CropScience encostará na líder Syngenta, deixando para trás competidoras como DuPont, Dow Química, Monsanto e Basf.Para não ver seus negócios afundarem no mundo, ou no Brasil - um dos principais mercados para a atividade de agroscience -, o mais provável é que as demais players do mercado se unam para enfrentar a concorrência. "E não me admira se até o fim do ano haja alguma movimentação neste sentido entre a DuPont, a Dow, a Monsanto e a Basf", comentou o atual presidente da divisão fitossanitária da Bayer e futuro presidente da Bayer Agroscience, Jochen Wulff.Brasil, terceiro mercadoO Brasil, que hoje já é o terceiro mercado da Bayer no segmento de cuidados com as plantas - com 10% do faturamento global da área, atrás apenas dos Estados Unidos e da França - apresenta taxa de crescimento médio anual de 10% para a atividade de agroscience, contra os 4% do restante do mundo. De olho nesse potencial de mercado, a idéia da Bayer é ampliar, no menor tempo possível, sua atual participação no mercado brasileiro - de 20% - para fazer frente à líder Syngenta.Um dos segmentos que devem impulsionar esse crescimento é o de herbicidas, que, com a incorporação da CropScience, passa a ocupar a segunda colocação no mercado nacional. O diretor da área de proteção das plantas da Bayer para o Brasil e América Latina, Jean-Pierre Longueteau, destaca que para se fazer bons negócios no País é necessário oferecer um bom pacote de produtos, especialmente na área de herbicidas, daí a importância da incorporação da Aventis."Para se ter uma idéia, o cultivo de soja consome cerca de um terço da produção de fitossanitários do País. Desse total, 70% são herbicidas", exemplifica Longueteau. Segundo o executivo, as vendas de herbicidas no País têm um peso bastante superior em comparação com outras regiões do mundo. No Brasil, elas correspondem a cerca de 55% do total gerado, contra a média de 45% praticada no restante do mundo.Atualmente, o portfólio mundial da Bayer é composto em 42% por inseticidas, 29% por fungicidas, 18% por herbicidas e 11% pela área de jardinagem e cuidados profissionais. A partir da fusão, esses valores se modificarão para 33%, 23%, 34% e 10%, respectivamente. InvestimentosDiante do alto custo de aquisição - de 7,25 bilhões de euros (US$ 6,35 bilhões) da Aventis e da expectativa gerada pela concretização desse negócio, a Bayer não pretende fazer investimentos específicos em nenhum mercado do mundo, nem mesmo no Brasil. Segundo Wulff, a idéia é observar como a companhia se comportará após a fusão e manter apenas o ritmo de aplicações nas áreas de pesquisa e desenvolvimento."Em 2001 investimos entre 11% e 12% de nossas vendas em pesquisa e desenvolvimento. Neste ano, assim como nos próximos, devemos manter uma média de 10%", comenta Wulff.A intenção da gigante alemã é promover uma reorganização de funcionários, evitando ao máximo demissões. "O potencial do mercado brasileiro somado à nossa crença de que iremos crescer vai justificar um corte insignificante de pessoas", aponta Longueteau. Juntas, as duas companhias empregam no País cerca de 700 funcionários, distribuídos pela unidade da Bayer, localizada no Rio de Janeiro, e na da Aventis, sediada em Portão (RS).

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