Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Compra da BrT pode ser inviabilizada, diz Falco

Anatel estuda exigir empresas distintas para voz e dados

Michelly Teixeira e Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, afirmou ontem que, se a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ou o governo impuserem condições à compra da Brasil Telecom (BrT), o negócio pode se inviabilizar. "Qualquer coisa que destrua o valor da nova companhia pode colocar em risco a viabilidade da operação", disse o executivo durante o Painel Telebrasil, na Bahia.A formação da BrOi, como foi apelidada a nova empresa, depende de mudança no Plano Geral de Outorgas (PGO), um decreto presidencial cuja nova redação está sendo discutida na Anatel. Os conselheiros da agência estão divididos sobre a inclusão de uma exigência para que as concessionárias fixas criem uma empresa dedicada exclusivamente ao Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), licença que permite oferecer comunicação de dados."Acho que não sai a operação (se a Anatel estabelecer a separação de ativos)", disse Falco, ressaltando que uma eventual necessidade de as teles criarem uma empresa específica para dados, como banda larga, geraria ineficiência tributária e impediria o grupo de explorar sinergias operacionais. "Se o PGO botar coisas espúrias, vai causar problemas à operação", comentou o presidente da Oi. O presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, também está preocupado com a inclusão de novas exigências no PGO. Ele disse que "não quer ser penalizado sem que seja beneficiado". Falco apontou que existe um movimento para que a Oi não compre a BrT. "Estão querendo que a gente não nasça para ser a terceira via, uma alternativa aos espanhóis e mexicanos", afirmou o executivo, referindo-se à espanhola Telefónica e ao grupo mexicano Telmex/América Móvil, dono da Embratel e da Claro.Falco rebateu críticas sobre o relacionamento da empresa com o governo. "Tentaram transformar um evento empresarial em político." Em 2005, a Oi, então chamada Telemar, investiu R$ 5 milhões na empresa Gamecorp, que tem entre seus sócios Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Lula. Além disso, a Andrade Gutierrez, que está no controle da Oi, foi a maior doadora da campanha do Partido dos Trabalhadores em 2006.O investimento na Gamecorp e a doação da Andrade Gutierrez têm sido apontados por críticos da aquisição da Brasil Telecom pela Oi. "Não existe nenhuma relação", disse Falco. "Zero." Segundo ele, a compra da Gamecorp se justifica pelo fato de os jogos serem o segundo conteúdo mais procurado para download nos celulares, depois da música. O executivo também disse que a operadora não tem nada a ver com doações que seus acionistas façam para campanhas políticas.Na terça-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que teme a compra da Brasil Telecom pela Oi, que pode virar "outra coisa", com a combinação do poder estatal e de fundos de pensão, "controlados por um único partido". Falco elogiou a inteligência de FHC e disse: "Tenho certeza de que, se o ex-presidente tiver acesso a um material estruturado sobre a operação, vai ver que ela é boa para o Brasil."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.