Compra da ceia na última hora pode render desconto

Professor do Insper diz que pode haver queima de estoque; lojas atacadistas também garantem que conseguem reduzir o preço da cesta

Yolanda Fordelone e Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo,

18 de dezembro de 2011 | 23h05

Faltam cinco dias para o Natal. A maior parte dos presentes está comprada e o cardápio da ceia já foi pensado. A fatura do cartão de crédito, porém, deve vir mais alta que o comum. Então, conseguir um desconto na compra dos ingredientes para o jantar da véspera natalina pode ser uma boa para ajudar a começar o ano no azul.

Fazer a compra em alguma loja que venda os produtos em grandes quantidades, como os atacadistas, é uma opção para quem quer algum desconto na comparação com outros supermercados. "Aqui, garanto que é possível conseguir um desconto de 15% na compra", diz Belmiro Gomes, diretor geral do Assaí, rede atacadista do Grupo Pão de Açúcar.

Ele comenta, inclusive, que há uma tendência mundial para que as famílias procurem cada vez mais os atacadistas. "Nos Estados Unidos já é comum fazer esse tipo de compra."

O professor de economia do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Otto Nogami, pondera, porém, que o importante nesta época do ano é não se deixar levar pela euforia das compras. Segundo ele, é comum que haja inflação, justamente pela forte demanda por alguns produtos. Mas nada exorbitante, pois a maioria das indústrias e empresas trabalha com estoque - e portanto, é possível segurar um pouco os preços.

De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em média, os preços dos alimentos avançaram 4,65% entre 2010 e 2011, com destaque para a cerveja que subiu mais de 14% e o bacalhau, com alta superior a 10%.

Na ceia de Natal, dizem especialistas em orçamento, vale trocar alguns alimentos por opções similares mas mais em conta e decorar com muitas frutas, uma vez que os preços desses itens subiram menos (1,60%) que a média.

"Se o produto é substituível e está mais caro, por que não aproveitar itens mais baratos e pegar um maior volume?", sugere Nogami.

Gomes, do Assaí, salienta que em suas lojas - que abrirão em expediente especial para atender à demanda natalina - há todos os produtos tradicionalmente consumidos nessa época. Alguns até mais em conta, que podem servir para substituir outros mais caros. "Temos de aves a bebidas. De repente, vale a pena até juntar alguns vizinhos ou familiares para que a compra em grande quantidade fique ainda mais vantajosa", sugere.

Comprar na última hora pode até ser interessante, diz o professor do Insper. "As empresas precisarão desovar as mercadorias. Algumas fazem promoções", explica. No caso dos presentes, ele diz que alguns produtos como calçados e roupas têm os preços drasticamente reduzidos após o Natal. Às vezes, vale a pena combinar entre os familiares trocar presentes posteriormente, diz o professor.

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