Bianca Pinto Lima e Sílvio Crespo, do estadao.com.br,
11 Janeiro 2010 | 13h46
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"Dado o tamanho da Femsa e a participação da Heineken [no mercado brasileiro], não acho que seja uma notícia negativa para a Ambev; é neutra", avalia Renato Prado, analista de investimentos da corretora Fator. A Ambev tinha em novembro uma participação de 70% no mercado brasileiro de cerveja, enquanto a Femsa tinha 7,2%, e a Heineken, menos de 1,5%, segundo o levantamento mais recente da Nielsen.
Prado acrescenta que o negócio entre a Heineken e a Femsa pode até beneficiar a cervejaria de origem brasileira no Brasil, pois "atenua a chance de a Ambev ser alvo de ações no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)", afirma Prado.
Ele lembra que a participação da Ambev no setor cresceu, em menos de um ano e meio, de 66,7% para os atuais 70%, o que poderia levar concorrentes a questionar a sustentabilidade do mercado. Com a presença agora relevante de um grande player internacional no País (a Heineken), ficará mais difícil fazer esse tipo de questionamento.
Sem ameaçar a liderança da Ambev no Brasil, a união entre Heineken e Femsa também não trará mudanças para o consumidor nacional. "Ele não deve sentir impacto algum nos preços das cervejas", afirma Varejão, da corretora Socopa. "O cenário doméstico não deve ter grandes mudanças, a não ser a criação de um player mais forte, mas nada que ameace a liderança da AmBev", resume ele.
Disputa será entre as menores
"A competição ficará mais acirrada entre os players menores, que terão de brigar para conquistar mercado", avalia o analista da Link Corretora, Rafael Cintra. Segundo ele, a Heineken deve realizar ações no Brasil para recuperar o market share perdido pela Femsa nos últimos anos. Em janeiro de 2007, a mexicana detinha 8,7% do mercado nacional de cervejas, contra 7,2% em novembro de 2009, segundo dados da Nielsen.
Parte dessa fatia, destaca Cintra, foi transferida para a Petrópolis. A cervejaria fluminense aumentou sua participação no mercado de 7% em janeiro de 2007, para 9,6% em novembro do ano passado. Já a Schincariol manteve a sua fatia praticamente estável no período, passando de 11,4% para 11,6%.
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