Compra da Garoto pela Nestlé faz oito anos

Clayton Netz, de O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2010 | 09h32

No próximo domingo, 28, um dos mais longos e polêmicos processos em curso na área de defesa da concorrência completa oito anos de vida. Ganha uma caixa de bombons quem cravou o que envolve a compra da hoje octogenária Chocolates Garoto pela suíça Nestlé. Esse período coincide com praticamente todo o mandato do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002, ano em que os suíços arremataram pela soma de US$ 250 milhões a combalida empresa da família capixaba Meyerfreund.

Apoiada pelos funcionários da Garoto e pela população do Espírito Santo, a operação foi bombardeada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Por maioria, os conselheiros do Cade determinaram que a aquisição fosse revertida. Entre os males que seriam causados ressaltavam a grande concentração de mercado resultante (as duas empresas deteriam mais de 56% de participação), a criação de barreiras a novos fabricantes e uma elevação dos preços dos chocolates, bombons e coberturas comercializados. Aparentemente, causava preocupação, o virtual monopólio do chocolate granulado que cobre o velho e bom brigadeiro das festas infantis, sem dúvida um produto de importância estratégica na vida do cidadão comum e do próprio País.

O fato é que inconformada, a Nestlé resolveu recorrer à Justiça em defesa dos seus interesses. Em todas as instâncias, inclusive no Tribunal Federal de Recursos, teve ganho de causa. Aparentemente, porém, ainda há um longo período pela frente, até que a novela chegue ao seu final. No entanto, a pergunta é: a quem interessa a demora? Ao País, às empresas, a seus empregados, aos consumidores? Não estaria na hora de se agilizar esse tipo de processo?

Felizmente, para a Garoto, apesar das restrições, a Nestlé não deixou de investir nela. Só nos últimos três anos, foram aplicados R$ 200 milhões na expansão da produção, ampliação do número de marcas e aumento da rede de pontos de venda. Ao mesmo tempo, o contingente empregado passou de 2,8 mil para 3,5 mil funcionários. E o faturamento empinou: em 2002, as receitas da Garoto chegavam a US$ 283,4 milhões, passando a US$ 764,1 milhões em 2008, último resultado conhecido. Há oito anos, o prejuízo de US$ 5,6 milhões registrado era relativamente pequeno, mas a verdade é que a Garoto estava no chamado "bico do corvo", minada por brigas familiares e sem capacidade de investimento. Em 2008, a última linha do balanço estampava um lucro líquido de US$ 58,6 milhões.

O Carrefour debuta no comércio eletrônico

O Carrefour, último dos grandes varejistas no País a ter uma loja virtual, anunciará na segunda-feira, 1° de março, sua entrada no comércio eletrônico. Em seu site, a rede francesa já começou a cadastrar internautas, oferecendo 20% de desconto na primeira compra para quem se inscrever antecipadamente. O Carrefour quer repetir a experiência bem sucedida de alguns concorrentes. As Casas Bahia, que começaram a vender pela internet em fevereiro de 2008, e o Walmart, que estreou em outubro de 2008, tiveram retorno acima do esperado em suas operações virtuais.

Financiamento e pacotes curtos animam cruzeiros

A temporada de cruzeiros marítimos ainda não acabou, mas já registra o maior número de passageiros da história, impulsionada por minipacotes e tarifas parceladas. Até agora, foram vendidos 760 mil pacotes e a expectativa é de que o número chegue a 900 mil, um aumento de 66% em comparação com a temporada passada. "Nunca foi tão conveniente e acessível fazer cruzeiros", diz Ricardo Amaral, presidente da Abremar, associação das empresas do setor. Nesta temporada deverão ser faturados R$ 500 milhões, incluídas as despesas paralelas dos viajantes.

XP Investimentos foca em investidor autodidata

Na contramão das concorrentes que terceirizam a criação dos home brokers, a carioca XP Investimentos injetou cerca de R$ 11 milhões numa plataforma própria. O diferencial do produto são os recursos didáticos para investidores iniciantes. "Buscamos o investidor que quer aprender a operar de casa", diz Guilherme Benchimol, diretor-geral da XP Investimentos. "Além dos aulas presenciais, oferecemos novos cursos on-line". Segundo ele, com os produtos, há espaço para aumentar o market share da empresa em home broker de 8% para 20%. Em 2009, a XP Investimentos faturou R$ 180 milhões. Já para este ano, Benchimol prevê uma receita de R$ 300 milhões.

A vitrine chinesa da mineira Comau

O know-how brasileiro na gestão de ativos industriais será levado pela Comau do Brasil para a China. A empresa, do grupo Fiat, sediada em Betim, acaba de fechar um contrato para fazer a manutenção em 14 fábricas da indústria chinesa de eletrodomésticos Haier, instalada na cidade de Huang Dao. O contrato,com a duração de 39 meses de trabalho, é de R$ 3,3 milhões por ano. "Esse é apenas o primeiro de uma série de grandes trabalhos por lá", diz Hiran Reis, diretor da Comau."Vamos fazer desse cliente uma grande vitrine para atrair as demais empresas do país."

Escritório paulista vence o "Deal of the Year"

A assessoria na compra da Aracruz pela Votorantim Celulose, um negócio de R$ 27 bilhões, garantiu ao escritório paulista Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, o prêmio "Deal of the Year", da publicação inglesa Latin Lawyer, na categoria fusões e aquisições. O escritório atuou na equipe da Arapar, do grupo Lorentzen, um dos controladores da Aracruz.

TAP e Claro juntas pelo telefone

As ligações pelo telefone celular, feitas no exterior pelos clientes da operadora Claro, renderão milhagens em voos da TAP. Batizada de Claro Milhas, a promoção tem duração de um ano e está aberta a todos os clientes pessoa física dos planos pós-pagos da operadora.

 

com Denise Ramiro (denise.ramiro@grupoestado.com.br)

e Felipe Vanini (felipe.vanini@grupoestado.com.br

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