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Compra da Inco não altera investimento programado, diz Vale

O presidente da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Roger Agnelli, garantiu nesta quarta-feira que não haverá redução nos investimentos do grupo programados para este ano. O orçamento aprovado pela mineradora para o período é de US$ 3,3 bilhões. Segundo ele, os projetos em desenvolvimento pela empresa "se auto financiam ao longo do tempo e, por isso, não comprometem a alavancagem financeira da Vale".O executivo destacou ainda que a compra da canadense Inco, anunciada na terça, irá fortalecer o grupo, já que a empresa ganha "musculatura" para seu crescimento. Em entrevista nesta quarta em Toronto, no Canadá, Agnelli lembrou que o níquel é uma das matérias-primas para a indústria de aço inoxidável, um setor que já é cliente tradicional da Vale na compra de minério de ferro. Segundo ele, essa diversificação de produtos e sinergia de atividades é positiva também para os clientes do grupo. A Vale quer reduzir rapidamente o endividamento contraído para financiar a compra da Inco. "Queremos reduzir a alavancagem o mais rápido possível", afirmou Agnelli. "Talvez em três anos estaremos na situação que estamos atualmente, antes da compra." O grupo brasileiro obteve um empréstimo ponte de mais de US$ 30 bilhões com um sindicato de bancos, mas vai utilizar apenas parte desses recursos (no máximo US$ 18 bilhões) para concluir o negócio.Agnelli lembrou que a empresa tem uma geração de caixa forte que garante uma situação financeira tranqüila para a companhia. O executivo observou ainda que o mercado de minério de ferro - que responde por mais de 80% da receita da companhia - está aquecido. "A China continua crescendo", afirmou.O presidente da companhia afirmou que pretende acelerar os investimentos nos projetos de níquel da Inco. "Existe muita sinergia entre os projetos no Brasil e as operações no Canadá", disse o executivo. Antes da aquisição da Inco, a segunda maior produtora mundial de níquel, a Vale tinha apenas dois projetos nesta área: as minas de Vermelho e Onça Puma, ambas no Pará. A última foi adquirida após a compra de outra companhia canadense, a Canico, no final do ano passado.Agnelli informou que pretende acelerar ainda os estudos para ampliação das atividades de uma subsidiária da Inco na Indonésia, a PT Inco. Segundo ele, a empresa tem reservas "gigantescas", o que pode beneficiar a crescimento do grupo Vale no setor. Outro braço internacional da Inco está em Goro, na Nova Caledônia (possessão francesa na Oceania). "Também pretendemos acelerar esse projeto", explicou.Agnelli lembrou que os volumes de investimento no mercado de níquel foram reduzidos nos últimos anos. A intenção da empresa agora é juntar os profissionais da Vale e da Inco para trabalhar em planos de desenvolvimento para a nova companhia, que será criada a partir do fechamento das negociações . "Não precisamos ter pressa para mudar nada porque a Inco é uma grande empresa", justificou. PresidênciaO presidente da Vale negou que o grupo pretenda se desfazer de algum ativo da recém-comprada empresa canadense. "Estamos comprando, não vendendo. Todos os bens disponíveis que a Inco tem são muito bons", afirmou. O executivo descartou grandes mudanças na administração da companhia canadense e confirmou o atual presidente, Scott Hand, no cargo. Mark Cutifani, executivo da empresa, será o novo diretor executivo de operações. Ele não especificou se algum brasileiro fará parte da diretoria em Toronto.Segundo informações da Rádio Internacional Canadá, Agnelli disse que todas as exigências do sindicato e do governo canadense serão mantidas, incluindo os incentivos a novos programas sociais e ambientais. Ele confirmou que não haverá demissões nos próximos três anos. "Em time que está ganhando não se mexe", brincou.

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