Compra da MMX pela Anglo deve estar concluída em até 3 meses

A operação de compra de partedos ativos da MMX do empresário Eike Batista pela AngloAmerican acontecerá em etapas, sendo a primeira a cisão dacompanhia em três novas empresas: uma controlada pela Anglo, aNewCo, e duas que permanecem com o grupo EBX, uma de logísticae outra com ativos remanescentes da MMX. "A Newco vai receber duas das quatro minas de minério deferro da antiga MMX, o sistema Amapá e o sistema Minas-Rio, evai fazer uma oferta ao mercado para recomprar ações dosminoritários pelo mesmo valor que pagaram ao Eike", explicou odiretor jurídico da MMX, Paulo Gouvêa. A MMX e a Anglo anunciaram nesta quinta-feira um contratopreliminar de negociação exclusiva pelo qual a mineradorasediada em Londres vai pagar 5,5 bilhões de dólares por parteda MMX, ou 361,12 dólares por ação. O empresário brasileiroreceberá o correspondente a 68 por cento desse total. Alémdisso, terá direito a royalties a partir de 2023 no sistemaAmapá e depois de 2025 no sistema Minas-Rio. "No final das contas, o acionista que tinha uma ação da MMXvai ter três ações, a que já tinha, uma da LLX e outra daNewco", disse Gouvêa, que estima em dois ou três meses o prazopara concluir a operação e mais um mês para a oferta pública. Toda a estrutura de logística do grupo continuará com EikeBatista, concentrados na LLX, que também terá seu capitalaberto, além de ativos de mineração que permaneceram no grupo,como Sistema Corumbá --em negociação para venda de participaçãominoritária--, AVG Mineração S.A., a recém-adquirida Minerminase outros direitos minerários a serem explorados, inclusive noAmapá. "Os ativos que ficam dentro da MMX são maiores do que osque a gente vendeu, vendemos os ativos maduros e vamosdesenvolver os novos...é um ciclo de criação de valor que secompleta para o acionista", ressaltou o empresário EikeBatista, que disse buscar oportunidades em minério de ferro mastambém em bauxita e urânio. Ele disse apostar em aumento de preço de 40 por cento parao minério de ferro este ano.O empresário afirmou que a vocação da MMX sempre foi criarvalor para os acionistas, e que em 18 meses aumentou em cincovezes o valor de mercado da MMX, de 1,5 bilhão de dólares para7,5 bilhões de dólares. "Nenhuma empresa no Brasil criou valorem tão pouco tempo", ressaltou. LLX NA BOLSA Batista aposta que a empresa de logística LLX vai se tornara principal do setor no Brasil --hoje dominado pela Log-In--,principalmente pelo mega-projeto do Porto de Açu, no Rio deJaneiro, ligado ao sistema Minas-Rio, e onde serão construídosseis berços de atracação de navios viabilizando um novo pólo dedesenvolvimento regional por volta de 2010. "A LLX vai crescer eternamente e por isso é uma 'sardinha'nossa que não será vendida", disse o empresário. Na abertura de capital da LLX serão ofertados 32 por centodos 85 por cento que a MMX tem na empresa. A previsão é que sejam instaladas siderúrgicas, refinarias,cimenteiras, entre outras indústrias, segundo Batista. Eleadmitiu já estar negociando com uma siderúrgica, sem citarnomes, mas que poderá se instalar no complexo do Porto do Açupara produzir até 10 milhões de toneladas de aço bruto. "Faz parte do nosso acordo com a Anglo atrair siderúrgicas,que vai precisar do minério que estará disponível a partir de2012 no sistema Minas-Rio", destacou. No mesmo local será construído um complexo termelétrico,com capacidade para 6 mil megawatts. Batista informou que jáestá negociando licenças ambientais para as três primeirasusinas, de 700 megawatts cada uma, que funcionarão a carvão eestarão prontas em 2011. "As outras provavelmente serão a gás, porque vai se acharmuito gás nesse país", disse Batista, que há poucos meses setornou um dos maiores exploradores de petróleo e gás brasileiroao arrematar várias áreas em leilão do governo. No Porto do Açu, já em construção, o empresário estimainvestimentos de 700 milhões de dólares, enquanto prevê que asempresas que serão instaladas em torno devem investir algo emtorno de 30 bilhões de reais. Sobre a possibilidade de uma crise causada pela redução nocrescimento da economia norte-americana afetar seus ambiciososplanos de crescimento, Batista foi taxativo: "Entendo que ociclo de crescimento da China ainda dura no mínimo 20 anos e deforma robusta, um pequeno decréscimo agora na economia nãoimporta, nossos projetos são para 2010", disse apostando emrecuperação no médio prazo. (Edição de Eduardo Simões)

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