Compra da Pecom aproxima Petrobras da Venezuela

A compra da petroleira argentina Pérez Companc, concluída na quinta-feira, põe a Petrobras com um pé no mercado venezuelano, país com reservas de petróleo quase oito vezes maiores do que as brasileiras e membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).Mais do que isso, avaliam especialistas do setor, a presença da estatal brasileira naquele país pode aprofundar os entendimentos para acordos operacionais com a Petroleos de Venezuela (PDVSA) a estatal local, maior fornecedora de óleo e derivados para os Estados Unidos e especialista em refino de petróleo pesado.A Pérez Companc produz 55,3 mil barris de óleo equivalente (somado ao gás) na Venezuela, em quatro áreas de produção, e tem ainda duas áreas exploratórias. Pouco, levando em conta que a PDVSA produzia, ao final de 2001, 3,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A própria Petrobras produziu em setembro, só no Brasil, uma média diária de 1,83 milhão de barris de óleo equivalente.De qualquer forma, quando começar a contabilizar os números da Pérez Companc, a Venezuela será responsável pela segunda maior produção da Petrobras fora do Brasil, atrás apenas da Argentina.?A compra da Pérez Companc pode ser o primeiro passo para uma aproximação maior com a PDVSA. Pode ser o motivo que faltava para uma parceria entre as duas estatais?, avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).A analista Fabiana Fantoni, da Tendências, concorda. ?A PDVSA tem interesse no mercado brasileiro. Dentro da Venezuela, a Petrobras pode ter um entendimento maior com a estatal de lá?, diz.O namoro entre Petrobras e PDVSA é antigo ? já se especulou até sobre uma fusão entre as duas empresas. Não é para tanto, disseram executivos das duas empresas e representantes do governo venezuelano quando estiveram no Brasil, no início de setembro.No entanto, afirma Pires, a Petrobras tem a tecnologia de águas profundas almejada pelos venezuelanos, e a PDVSA é eficiente no refino de óleo pesado, uma das carências do mercado brasileiro. ?O petróleo brasileiro vai ficando cada vez mais pesado e precisamos de tecnologia para processá-lo?, diz o consultor.De fato, as duas empresas estão trabalhando em um acordo de cooperação técnica para trocar experiências nessas áreas. A Venezuela pretende ainda atrair capital estrangeiro e expertise para desenvolver uma nova fronteira produtora de petróleo, chamada de Bacia Deltana, e já acenou com parcerias para a Petrobras.Adriano Pires faz a ressalva de que a situação política no país vizinho é instável e seu mercado de petróleo tem um histórico conturbado. ?A Venezuela já abriu e fechou este mercado diversas vezes?, diz. Atualmente, grandes petroleiras mundiais, como ChevronTexaco, ExxonMobil e TotalFina Elf atuam naquele país.

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