Compra da Perez Companc aproxima Petrobras do mercado venezuelano

A compra da petroleira argentina Perez Companc, concluída na quinta-feira, põe a Petrobrás com um pé no mercado venezuelano, país com reservas de petróleo quase oito vezes maiores que as brasileiras e membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Mais do que isso, avaliam especialistas do setor, a presença da estatal brasileira naquele país pode aprofundar os entendimentos para acordos operacionais com a Petróleos de Venezuela (PDVSA), a estatal local, maior fornecedora de óleo e derivados para os Estados Unidos e especialista em refino de petróleo pesado. A Perez Companc produz 55,3 mil barris de óleo equivalente (somado ao gás) na Venezuela, e tem ainda duas áreas exploratórias. Pouco, levando em conta que a PDVSA produzia, no fim do ano passado, 3,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A própria Petrobrás produziu em setembro, só no Brasil, uma média diária de 1,83 milhão de barris de óleo equivalente. Ainda assim, quando começar a contabilizar os números da Perez Companc, a Venezuela será responsável pela segunda maior produção da Petrobrás fora do Brasil, atrás apenas da Argentina. "A compra da Perez Companc pode ser o motivo que faltava para uma parceria entre as duas estatais", avalia o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). A analista Fabiana Fantoni, da Tendências, concorda. "A PDVSA tem interesse no mercado brasileiro. Dentro da Venezuela, a Petrobrás pode ter um entendimento maior com a estatal de lá", diz. Pires faz a ressalva de que a situação política no país vizinho é instável e seu mercado de petróleo tem um histórico conturbado. "A Venezuela já abriu e fechou este mercado diversas vezes", conta. Atualmente, grandes petroleiras mundiais, como ChevronTexaco e ExxonMobil atuam naquele país.

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