Compra da Suzano define o novo mapa da petroquímica

Petrobrás deve concluir em 60 dias as negociações com acionistas em outros negócios

Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2007 | 00h00

A data anunciada na quinta-feira pela Petrobrás para o fechamento da compra da Suzano Petroquímica, 30 de novembro, terá de marcar também, necessariamente, o novo desenho do mapa petroquímico no País. Além da compra da Suzano, a estatal deve divulgar a conclusão das negociações com a Unipar, a composição da Companhia Petroquímica do Sudeste, a composição acionária do nova central petroquímica Comperj e a consolidação do pólo petroquímico do Sul, que deve ser liderado pela Braskem.De acordo com fonte que acompanha as negociações, todas as decisões têm de ser simultâneas para evitar que a Petrobrás assuma, mesmo que temporariamente, uma concentração de ativos no setor. Isto poderia colocar atuais parceiros em xeque-mate e suscitar questionamentos em órgãos de defesa da concorrência.Em março, a Petrobrás comprou o Grupo Ipiranga por R$ 4 bilhões, em parceria com a Braskem e o Grupo Ultra, ingressando no pólo petroquímico do Sul. Cinco meses depois, anunciou a compra da Suzano, por R$ 2,7 bilhões. Em seguida, iniciou negociações com a Unipar, parceira da Suzano em diversos projetos e que vinha tentando comprar a parte da sócia.O acordo entre a Petrobrás e Unipar não deve envolver desembolsos de recursos, mas troca de ativos. O mercado considerou superdimensionados os ativos da Suzano. Agora, a Unipar quer o mesmo parâmetro de avaliação para seu patrimônio. Na última quinta-feira, ao fixar 30 de novembro como data-limite para a conclusão do acordo com a Suzano, a Petrobrás informou que o valor do negócio pode ser reduzido em até 7% (R$ 189 milhões), após o resultado da "due-dilligence". Unipar e Petrobrás promoverão troca de ativos, envolvendo cerca de 80% dos bens da primeira.A polêmica da negociação é a gestão da Companhia Petroquímica do Sudeste. A Petrobrás quer assento expressivo no conselho administrativo, que provavelmente será formado por sete membros, e direito de indicar diretores. A Unipar quer indicar o presidente e aprovar a diretoria escolhida por ele. Também quer maioria absoluta no conselho. Está em estudos a criação de comitês que darão poder de veto aos acionistas.O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, confirmou que em novembro serão concluídas todas as compras na área petroquímica. Segundo ele, estão "andando em paralelo" os processos de avaliação dos ativos envolvidos na operação, o acordo de acionistas entre as empresas envolvidas e o novo estatuto das novas empresas. "O projeto é ambicioso, mas esse é o nosso objetivo", disse Costa.Depende disso a definição da formação acionária do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), projeto orçado em mais de US$ 8 bilhões. O pólo, que utilizará o petróleo pesado da Bacia de Campos, terá uma divisão inédita no setor: a Petrobrás terá 100% da refinaria, que abarcará a produção de petroquímicos de primeira geração; a segunda geração terá um pólo majoritário da CPS e negócios da Braskem, Ultra e da Unipar. A terceira geração também será dividida.

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