REUTERS/Arnd Wiegman
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Compra da Tiffany pela dona da Louis Vuitton é maior negócio do setor de luxo

Depois de meses de negociações, grupo francês compra a joalheria americana por US$ 16,2 bilhões (ou R$ 68 bilhões)

The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 04h00

NOVA YORK - A LVMH – Moët Hennessy Louis Vuitton, empresa líder em artigos de luxo do mundo, anunciou ontem acordo para comprar a joalheria Tiffany & Co., por US$ 16,2 bilhões (R$ 68 bilhões), valor recorde para o setor. A aquisição dará à LVMH uma posição mais forte nos EUA e vai ajudar a Tiffany na Europa e na China. Também solidificará o status de Bernard Arnault, presidente da LVMH, como o negociador mais arrojado da indústria do luxo.

“A Tiffany é um ícone americano e fazia tempo que estava na lista de marcas que considerávamos uma boa combinação”, disse Arnault, em Paris. A aquisição acrescenta um nome proeminente ao conjunto da LVMH, dona de Dior, Givenchy, Fendi e Dom Pérignon. O acordo pode levar a empresa francesa a uma posição de liderança não apenas em produtos tradicionais de luxo, como roupas e bolsas, mas também em relógios e joias.

“Esperamos que este seja o ponto de partida para uma nova rodada de consolidação da indústria de luxo nos próximos 12 a 18 meses”, disse Swetha Ramachandran, gerente de investimentos na GAM Global Luxury Brands Fund. O acordo, que ainda precisa da aprovação dos acionistas da Tiffany, deve ser fechado em meados de 2020.

O acordo com a Tiffany, conhecida por suas exclusivas caixas azuis e pelo filme Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany’s), com Audrey Hepburn, é o segundo investimento da LVMH em uma marca americana este ano, depois que criou uma nova casa de luxo, a Fenty, com a cantora Rihanna.

A Tiffany vinha tentando atrair clientes jovens, em um mundo em que o casamento tradicional não é mais tão valorizado. Apesar dessa dificuldade, Jean-Jacques Guiony, diretor financeiro da LVMH, não manifestou preocupações. “O amor sempre vence. E esperamos que o anel de diamante em uma caixa azul também vença.”

Arnault, que nos últimos anos trouxe para a LVMH marcas como Belmond, de viagens de luxo, e a Rimowa, de malas, disse que foi à loja da Tiffany na Quinta Avenida quando morava em Nova York, na década de 1980. E que ficou de olho na marca nos últimos 18 meses, enquanto ponderava outras oportunidades de aquisição.

A experiência da LVMH na China poderá ajudar a Tiffany a se expandir na região. Isso porque, nos últimos tempos, os gastos de turistas chineses foram duramente afetados pela depreciação do yuan, pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e pelos protestos em Hong Kong. Arnault disse que também acredita que a marca tem potencial para expandir seu alcance na Europa.

A Tiffany é “forte nos Estados Unidos e no Japão, mas fraca na Europa e não está conseguindo crescer na China”, disse Arnault. “Lá podemos ajudar muito, encontrar as melhores localizações”. Arnault disse que espera seguir com a Tiffany o mesmo modelo que ajudou a aumentar as vendas e a lucratividade na Bulgari, adquirida pela LVMH em 2011. “Vamos nos concentrar na construção do desejo pela marca a longo prazo.” 

As ações da LVMH subiram mais de 2% ontem, na esteira da aquisição da Tiffany, acumulando alta de quase 60% em 2019. As ações da Tiffany vinham sendo castigadas, mas deram um salto em outubro, após notícias sobre as negociações. No último ano fiscal, a joalheria teve lucro de US$ 586,4 milhões.

Estilo

Além das perspectivas de crescimento da Tiffany e do fato de que, como a Louis Vuitton, a marca é vendida apenas em sua própria rede, Arnault disse que foi atraído por um aspecto incomum da Tiffany. “É a única marca que conheço que tem sua própria cor”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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