Compra de computador pode trazer problema

Como o computador tornou-se equipamento indispensável no cotidiano de grande parte da população são cada vez mais comuns as reclamações referentes a esse assunto na Fundação Procon-SP - órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual. Muitos problemas ocorrem porque os fabricantes desses produtos abusam da falta de conhecimento da maioria dos consumidores sobre informática.De janeiro a setembro deste ano, o Procon-SP já registrou 2.380 consultas e 501 reclamações, das quais 1.124 consultas e 262 reclamações foram feitas por causa de produtos entregues com defeito. Vale ressaltar que, em relação ao ano passado, a quantidade de consumidores que tiveram necessidade de recorrer ao organismo na tentativa de solucionar seu problema aumentou. Durante todo o ano de 2000, foram feitas 2.087 consultas e 300 reclamações.Entre os compradores prejudicados está o garçom Abel Pereira dos Santos. Em novembro do ano passado, ele comprou um computador da Compaq. Mas o equipamento nunca funcionou. Ao explicar seu caso para o fabricante, o consumidor foi aconselhado a levar a máquina até uma loja autorizada com a promessa de que tudo seria resolvido. No entanto, a providência deu em nada e o cliente continuou sem uma solução para o seu problema. "Precisei encaminhar o computador novamente para o conserto e, ainda assim, continuou quebrado."Depois de registrar nova queixa, um técnico da Compaq foi até a casa do cliente e disse ter conseguido arrumar o computador, conta Santos. Mas, após dois dias, veio a surpresa: o equipamento parou de funcionar. Cansado dessa situação, Santos decidiu ir atrás dos seus direitos e recorreu ao Procon, que marcou uma audiência com a Compaq no mês passado, à qual nenhum representante da companhia compareceu. "Agora, vou brigar na Justiça", afirma, indignado.Orientação do Procon e de advogadoO advogado especializado em defesa do consumidor José Eduardo Tavolieri de Oliveira apóia a decisão de Santos e lembra que, além do desgaste que vem tendo com a empresa, o cliente está tendo prejuízo econômico, o que lhe permite exigir uma indenização da Compaq por danos morais e materiais .Segundo a fabricante, toda a atenção possível foi dada ao cliente. Primeiramente, foi oferecido um atendimento técnico domiciliar, mas a proposta não foi aceita por ele. Em outra ocasião ofereceu o serviço de retirada e entrega do computador e o consumidor também recusou. O documento enviado ao jornal O Estado de S. Paulo pela Compaq diz ainda que, "embora esses atendimentos não estejam incluídos nos Termos Contratuais de Garantia, foram oferecidos como cortesia para identificar um eventual defeito, mas as tentativas de resolução do caso restaram infrutíferas." Santos explica que realmente recusou algumas propostas feitas pela Compaq, mas somente após não ter obtido sucesso nas demais tentativas de conserto.A técnica do Procon-SP Gabriela Antônio afirma que o consumidor está amparado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Segundo ele, o comprador não é obrigado a aceitar todas as propostas feitas pelo fabricante do produto que apresenta problema de qualidade, afirma Gabriela. "Se a empresa não solucionar o caso em até 30 dias após a reclamação feita pelo cliente, ele tem direito de exigir a substituição do produto por outro em perfeito estado, ter o valor devolvido com correção monetária ou o abatimento proporcional ao valor do prejuízo."De acordo com os especialistas, qualquer consumidor que estiver enfrentando uma situação semelhante à de Santos deve defender seus direitos. O Procon atende pelo telefone 1512. Eles acrescentam que alguns cuidados devem ser tomados no momento da compra, como pedir explicação ao vendedor de todas as funções do equipamento e discriminá-las de forma clara no pedido.

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