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'Compra de obra de arte não pode ter investimento como único objetivo', diz executiva do Citi

Ex-curadora de museu nos EUA defende que, primeiro, o comprador precisa ter interesse pelo trabalho do artista; acervo de clientes do banco inclui Di Cavalcanti, Lygia Clark e Adriana Varejão

Entrevista com

Mary-Kate O'Hare, especialista em arte do Citibank

Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 09h10

Obras de arte movimentam dezenas de milhões de dólares no mundo, mas não são recomendadas com o objetivo único de investimento no Citibank. No private banking do Citi, a especialista em arte dos Estados Unidos e América Latina, a americana Mary-Kate O'Hare, avalia se uma obra é capaz de reter ou não valor ao longo dos anos somente depois que o cliente já demonstrou interesse e alguma estima pessoal na peça.

Ainda que a executiva do Citi e ex-curadora de um museu americano não revele números do negócio, ela diz que o serviço de consultoria de arte e finanças do Citi certamente encontra motivos para existir, depois de 40 anos de ter sido fundado. Nessa entrevista ao Estadão/Broadcast, a assessora de arte conta que, no acervo dos clientes, estão artistas como Emiliano Di Cavalcanti, Lygia Clark e Alfredo Volpi. Leia os principais trechos.

O Citi recomenda a compra de peças de arte como investimento alternativo? Por quê?

A equipe de consultores, que trabalhavam no mundo das arte antes de ingressar no Citi, seja como curadores de museus, especialistas em casas de leilões e revendedores de arte, tem ajudado clientes do private banking a comprar arte com o rigor e a qualidade seletiva de um museu. Aconselhamos que eles optem por obras de arte que eles realmente apreciem. Não recomendamos a compra de arte só como investimento. A arte tende a ser um ativo ilíquido e passível de altos e baixos do mercado. Não há como ter certeza de que um colecionador será capaz de vender uma peça e obter lucro em um determinado momento. Depois que o cliente reconhece que a obra tem um valor pessoal, avaliamos, então, se a obra tende a reter valor ao longo do tempo ou não.

A equipe de consultores em arte do Citi é global e avalia obras do século 19 em diante em muitos países. Essa pesquisa abrange o Brasil? Por quê?

Sim, nossa experiência abrange arte moderna e contemporânea brasileira. Antes de ingressar no Citi, fui curadora do The Newark Museum, onde organizei exposições dedicadas à arte sul-americana. A arte brasileira era uma parte muito importante desses projetos. Trabalhei no planejamento para uma grande mostra dedicada à cultura brasileira de meados do século, por quatro anos. Esses projetos me levaram ao Brasil em muitas viagens de pesquisa, durante as quais desenvolvi um profundo conhecimento da história da arte brasileira ao mesmo tempo em que construí uma forte rede entre estudiosos e galeristas no País. Como consultora, compartilho esse conhecimento com nossos clientes, pois os artistas contribuíram com muitas ideias e conceitos inovadores para a história da arte. Para muitos artistas brasileiros, o mercado também é forte. Por isso, é importante que nossa equipe entenda a história e o valor atual desse trabalho.

Existem artistas brasileiros nas coleções de seus clientes? Se sim, quem? É representativo em quantidade e valor?

Embora eu não possa comentar em números, muitos de nossos clientes colecionam arte brasileira. Isso inclui colecionadores da América Latina, Europa e Estados Unidos. Em suas coleções, há obras de artistas famosos como Lygia Clark, Sergio de Camargo, Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Emiliano Di Cavalcanti e Geraldo de Barros, entre muitos outros. Também colecionam artistas contemporâneos, como Adriana Varejão, Cildo Meireles, Beatriz Milhazes e Rosangela Rennó.

Quais condições o Citi impõe para evitar a lavagem de dinheiro com o uso de obras de arte?

Trabalhamos com revendedores de arte e casas de leilão conceituados e somos completamente transparentes com nossos clientes. Fazemos muita pesquisa de diligência para cada obra de arte que nossos clientes compram. Isso também avalia a procedência, o histórico de exposições e as condições.

Quando começou, no Citi, o uso da arte como garantia para empréstimos? Quão representativa é essa linha de crédito para os negócios da área de consultoria em arte e finanças do banco?

No início dos anos 80, o Citibank começou a originar financiamentos para obras de arte, um negócio importante para o banco. Clientes com patrimônio líquido muito alto e obras de arte de qualidade internacionalmente reconhecida podem oferecer essas peças como garantia para empréstimos. Nos Estados Unidos e em alguns outros países, ainda não no Brasil, os clientes podem tomar o financiamento e manter as peças em casa. Fazemos as avaliações da arte internamente e muitos de nossos clientes apreciam a confidencialidade dessa análise, bem como a rapidez com que somos capazes de fazer. Sendo parte do Private Bank, as taxas são extremamente competitivas.

O Citi aconselha os clientes a emprestar peças de suas coleções para exposições?

Aconselhamos nossos clientes a emprestar obras de suas coleções para exposições importantes. Esse tipo de participação pode ter um efeito positivo na percepção da obra de arte, em termos de importância histórica da obra e também pode afetar o valor monetário futuro da peça.

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