Comprador da Varig não terá de assumir dívidas trabalhistas

O comprador da Varig, Rio Sul e Nordeste não terá que assumir as dívidas trabalhistas da empresa, estimadas em R$ 200 milhões. A decisão é do juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio, que cuida da recuperação judicial da Varig. Essa possibilidade era uma das principais dúvidas e ameaças a interessados em participar do leilão judicial da Varig, adiado para quinta-feira."Se isto acontecesse, acarretaria uma desvalorização dos ativos postos à alienação, criando um quadro desfavorável à aquisição por parte de investidores", afirma Ayoub, por meio de comunicado. Segundo a nota, a decisão favorece também os credores da Varig e vale tanto para o processo de recuperação judicial quanto para uma eventual falência. A decisão de Ayoub pode ser contestada, a exemplo de outra publicada por ele mês passado, determinando que não haveria sucessão de dívidas fiscais da Varig.AdiamentoO leilão da Varig estava marcado para esta segunda-feira, mas foi adiado, por solicitação dos investidores. Eles alegam que precisam de mais detalhes sobre as condições do leilão da companhia e querem analisar as informações sobre a empresa. A solicitação dos investidores foi feita formalmente ao Tribunal de Justiça do Rio. Na semana passada, nem mesmo a Ocean Air, tida pelo mercado como principal interessada no negócio, tinha certeza se participaria ou não da disputa e um dos interessados em participar do leilão da Varig já havia desistido de participar do leilão após analisar os números da empresa. Foi o grupo europeu representado pela consultoria brasileira Azulis Capital. A informação foi dada pelo executivo Emerson Pieri, que representa um banco franco-suíço contratado pelo tal investidor. Pieri não revelou o nome do investidor nem do banco. A Azulis tem como sócia Ivone Saraiva, ex-superitendente do BNDES.Dentre os pontos que levaram à desistência do tal grupo europeu, Pieri já havia ressaltado as incertezas sobre a sucessão de dívidas trabalhista e tributária, o problema com a dívida de R$ 2,3 bilhões com o fundo de pensão Aerus e falta de detalhes a cerca do empréstimo do BNDES.

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