Arnd Wiegmann|Reuters
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Compradores pedem desconto para o banco

Pressionado pela prisão de André Esteves, fontes afirmam que BTG terá de oferecer abatimentos de aproximadamente 10%

ALINE BRONZATI, FERNANDA GUIMARÃES e CYNTHIA DECLOEDT, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2015 | 05h00

Com o fôlego obtido com a liberação de R$ 2 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a desaceleração de saques em investimentos, o BTG Pactual enfrenta agora a pressão na negociação de preço com interessados em comprar seus ativos, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Segundo fontes, novos desdobramentos da Lava Jato, após a prisão de André Esteves, poderiam depreciar ainda mais o valor dos negócios. Isso estaria deixando as negociações mais lentas.

Na lista dos ativos à venda do BTG Pactual, a rede de estacionamentos Estapar, a empresa de gestão de créditos vencidos Recovery e o suíço BSI estão entre as que atrairiam o maior interesse. Até agora, o banco só conseguiu vender uma fatia na Rede D’Or ao fundo soberano de Cingapura, o GIC, que já detinha participação na empresa.

“Os players que podem levar os ativos mais rapidamente são aqueles que já são acionistas ou conhecem as operações. (Estes) estão esperando que o banco fique novamente pressionado”, diz um executivo da área de fusões e aquisições.

No caso da Estapar, a operadora francesa de estacionamentos Vinci estaria entre os principais interessados, segundo fontes. Fundos de private equity também estão olhando o ativo.

Uma fonte próxima ao banco afirma, no entanto, que como o trabalho interno do BTG tem sido “se preparar para o pior cenário”. O desejo da instituição é monetizar esses ativos o mais rápido possível. Por isso, admite, algum desconto poderá ocorrer. “Não algo muito superior a 10%”, acrescenta.

O esforço do BTG Pactual, conforme a fonte, é conseguir liquidez para se manter saudável por um período de um ano e meio. Nesse pior cenário, o banco prevê que nenhuma aplicação de seus clientes seja renovada em um prazo de um ano.

Um gestor de um fundo de private equity diz que a possibilidade de surgirem novas denúncias contra Esteves contribui para travar o andamento das conversas. “Quanto mais tempo o André Esteves ficar preso, mais baratos ficam os ativos”, afirma, lembrando que o senador Delcídio Amaral (PT-MS), preso na mesma ocasião de Esteves, pode fazer delação premiada.

Esse esforço de desinvestimento, de acordo com uma das fontes ouvidas pelo Broadcast, seria o motivo pelo qual o BTG teria decidido levar à leilão 19,78% da participação (ações ordinárias) na BR Properties.

O executivo de outro banco estrangeiro, que teria interesse pelo BSI, diz que não está havendo pechincha. O Safra tem sido citado como potencial comprador, mas somente com um bom desconto. Segundo a Reuters, Julius Baer e Credit Suisse também estariam no páreo pelo BSI.

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