Compras menores de soja pela China acirram concorrência

A diminuição das compras de soja pela China vai deixar volumes substanciais do Brasil e Argentina para competir com a nova safra de grãos dos Estados Unidos após setembro, ameaçando o domínio normal do país no mercado, durante o quarto trimestre.

NAVEEN THUKRAL, REUTERS

20 de abril de 2011 | 15h03

A disponibilidade de grãos da América do Sul pode pesar nos preços da soja na bolsa de Chicago (CBOT), já em queda de 4 por cento este mês, enquanto o trigo e o milho estão em alta.

A China, que compra quase 60 por cento da oleaginosa negociada no mundo, cancelou mais de oito carregamentos da América do Sul e adiou cerca de 20 embarcações --ou cerca de 1,4 milhão e 1,6 milhão de toneladas-- devido às fracas margens de esmagamento. Outras embarcações ainda podem ser canceladas.

"Normalmente, ambos os países vendem tudo o que tem ou, pelo menos, a maior parte em seis meses", disse um trader de empresa internacional que tem operações substanciais na China.

"Este ano a América do Sul terá entre 3 e 4 milhões de toneladas acima do volume que teria normalmente nesta época, quando os Estados Unidos entrarem no mercado. Isso é raro."

Geralmente o Brasil e a Argentina, respectivamente o segundo e o terceiro maiores exportadores de soja do mundo, já estão quase no fim das negociações de soja quando os carregamentos dos EUA chegam ao mercado, por volta de setembro, deixando poucas opções aos importadores.

A China, que comprou cerca de 11 milhões de toneladas de soja entre janeiro e março, poderá cancelar carregamentos adicionais previstos para maio e junho, dada a situação de ampla oferta disponível no mercado doméstico.

Diante da alta dos preços internacionais, que afetaram as margens de esmagamento na China, o país planeja vender 3 milhões de toneladas a valores abaixo dos preços de importação na tentativa de conter a inflação dos alimentos.

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