Marcos de Paula/AE-30/3/2010
Marcos de Paula/AE-30/3/2010

Compulsório bate expectativa do Banco Central

Medida criada em dezembro como alternativa para evitar alta maior de juros retirou R$ 65,3 bilhões de circulação, 5,7% acima do previsto

Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

Durante o primeiro mês de vigência do novo depósito compulsório instituído em dezembro pelo governo, os bancos recolheram junto ao Banco Central um montante maior do que o inicialmente previsto pela autoridade monetária. De acordo com dados do BC, o recolhimento dos bancos sobre depósitos a prazo e no compulsório adicional (cobrado de depósitos à vista, a prazo e da poupança) cresceu R$ 65,335 bilhões em dezembro de 2010 ante novembro.

O valor está 5,7% acima dos R$ 61 bilhões de recolhimento projetados pelo Banco Central quando a medida foi anunciada. O cálculo sobre o impacto da medida considerou a base de cálculo de novembro.

Um fator que explica o movimento acima da expectativa é a sazonalidade do período, já que dezembro, mês em que as pessoas recebem a segunda parte do 13º salário, há uma tendência de aumento nos recolhimentos dos bancos.

Além disso, o próprio crescimento econômico, com geração de emprego e incremento da renda, aumenta o volume de dinheiro nas contas bancárias. Isso, consequentemente, eleva também o recolhimento das instituições financeiras junto ao BC. Somando os primeiros dias de janeiro, o saldo de recolhimento extra nas categorias atingidas pela medida do BC já chega a R$ 66,3 bilhões ante novembro, elevando a diferença sobre o previsto a 8,6%.

Em 3 de dezembro, o Banco Central anunciou a elevação de 15% para 20% no compulsório sobre depósitos a prazo - como os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e de 8% para 12% no recolhimento adicional cobrado de depósitos à vista e a prazo.

Juros. Analistas do mercado e do próprio governo estimavam que essa elevação do compulsório, junto com a restrição ao crédito, teria um impacto equivalente a um aumento de 0,5 a 1 ponto porcentual de Selic. Isso permitiu ao BC postergar o início do processo de alta dos juros. Considerando-se todos os recolhimentos compulsórios junto ao Banco Central, o crescimento dos depósitos das instituições financeiras foi de R$ 81,7 bilhões em dezembro ante novembro.

Desse total, R$ 14,5 bilhões foram decorrentes de aumento no recolhimento sobre depósitos à vista e R$ 1,9 bilhão, de alta no recolhimento sobre poupança. O restante refere-se às modalidades atingidas pelas medidas restritivas da autoridade monetária anunciadas em dezembro.

Mesmo quando se desconta o efeito da iniciativa do Banco Central, os números mostram que houve no mês passado um aumento forte nos recolhimentos dos bancos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.