coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Imagem Renato Cruz
Colunista
Renato Cruz
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Computação humana

Existem problemas que os computadores ainda não conseguem resolver sozinhos. Os pesquisadores da computação humana procuram combinar pessoas e máquinas para atacar questões complexas, ainda intratáveis exclusivamente pelos algoritmos. Essa é a área de atuação de Luis von Ahn, um dos pioneiros do crowdsourcing, do aproveitamento do trabalho das multidões via rede.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h05

Nascido em 1979 na Guatemala, Von Ahn ensina ciência da computação na Universidade Carnegie Mellon e já vendeu duas empresas que criou para o Google: a ESP Game e a reCaptcha. Na semana passada, participou do evento WWW2013, no Rio, e falou sobre sua nova empresa, a Duolingo, que dá aulas gratuitas de idioma via internet.

Um problema que os computadores ainda não conseguem resolver, e que estava por trás da ESP Game, é a classificação de imagens. Uma imagem era mostrada ao mesmo tempo a duas pessoas, que precisavam oferecer classificações óbvias para elas. O sistema só apresentava outra imagem quando as duas davam a mesma classificação.

O reCaptcha serve para garantir que as pessoas são realmente pessoas na internet, e não robôs. Antes de acessar uma informação ou submeter um formulário, o usuário recebe a imagem distorcida de duas palavras, e tem de digitá-las. Essas palavras vêm de livros escaneados, que os sistemas automatizados tiveram dificuldade de decifrar. Ao digitar as palavras, além de provar sua humanidade, o usuário ajuda a digitalizar os textos.

A nova empresa de Von Ahn é uma escola virtual de línguas, mas não é só isso. Ao fazer a lição, os alunos traduzem textos verdadeiros da internet. O modelo de negócios da empresa é oferecer ensino grátis a pessoas e cobrar das empresas pelo serviço de tradução. "O mercado de tradução movimenta cerca US$ 30 bilhões por ano", apontou o professor.

Vários alunos recebem o mesmo texto para traduzir, e o sistema consegue saber qual é a melhor tradução, estatisticamente. "A combinação de estudantes e computadores oferece um resultado tão bom quanto o de um tradutor profissional", disse Von Ahn. Ele classificou sua empresa de movida a dados. O método de ensino é aperfeiçoado com testes feitos diretamente com os usuários do Duolingo. "Meu sonho é ter milhões de crianças trabalhando de graça para mim", brincou Von Ahn.

Existem outras empresas que exploram comercialmente no crowdsourcing. É o caso do Mechanical Turk, da Amazon. Trata-se de um mercado eletrônico em que empresas contratam pessoas para pequenas tarefas via internet, como classificar informações. A diferença em relação aos projetos de Luis von Ahn é que neles as tarefas são transformadas em serviços gratuitos para quem as realiza.

Tudo o que sabemos sobre:
Renato Cruz

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.