Computador de mesa perde lugar para notebooks

Venda de computadores portáteis deve crescer 270% este ano no País, chegando a 810 mil unidades

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2007 | 00h00

Os notebooks começam a tomar o lugar dos computadores de mesa na casa do consumidor, com a redução da diferença de preço entre os dois tipos de PCs. Este ano, as vendas de computadores portáteis devem crescer 270% no País, chegando a 810 mil unidades, segundo a consultoria IT Data. No primeiro semestre, o aumento foi de 349% frente ao mesmo período de 2006, somando 292 mil máquinas. "A migração do desktop para o laptop está acontecendo no mundo todo", disse Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da IT Data.O programador Daniel Begnami, de 29 anos, comprou seu primeiro computador portátil no fim de julho. "Sempre quis comprar um notebook", disse. "Preciso levar o computador para alguns lugares por causa do trabalho. Nas outras vezes em que pensei em comprar, achei muito caro." Ele pagou R$ 3,7 mil pela máquina, em três vezes sem juros. "Estou pensando em vender meu desktop."A MP do Bem, que retirou o PIS e a Cofins da maior parte dos computadores, a valorização do real frente ao dólar e o aumento dos financiamentos oferecidos pelo varejo incentivaram o mercado de computadores como um todo. Este ano, devem ser vendidos 10,1 milhões de PCs (incluindo máquinas portáteis e de mesa), o que representa um avanço de 23% sobre o ano passado. Pela primeira vez na história, a venda de computadores pode ultrapassar a de televisores no País."O mercado está bombando", disse Hélio Rotenberg, diretor-geral da Positivo Informática, líder no mercado brasileiro de computadores. "Este Natal será dos notebooks. O preço despencou e chegaram ao mercado produtos leves e de qualidade." Segundo Rotenberg, o preço médio dos micros portáteis caiu 22% entre o segundo trimestre de 2006 e o mesmo período deste ano, passando de R$ 2.573 para R$ 2.014. A empresa tem hoje modelos com preços entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil. "Os modelos que custam menos de R$ 2 mil respondem por 90% das vendas."O varejo vende as máquinas de 10 a 12 vezes sem juros. A queda de preços, somada ao financiamento, reduziu muito o contrabando, segundo Rotenberg. "Hoje estamos mais baratos que o contrabando", disse. "E os consumidores até preferem pagar um pouco mais caro, para terem garantia do produto." Ele destacou também a redução no peso dos computadores. "Há dois anos, os notebooks pesavam cerca de 3,5 quilos. Hoje, estão entre 2 e 2,5 quilos."Em países como os Estados Unidos e o Japão, a maioria dos computadores vendidos são portáteis. Isso se explica pela maturidade do mercado e pela diferença na renda dos consumidores. Naqueles países, o computador se tornou realmente pessoal. Não é uma máquina da família, como ainda acontece no Brasil. Mesmo assim, o notebook ganha espaço rapidamente no País. No primeiro trimestre de 2006, os portáteis correspondiam a 6,6% das vendas. No quarto trimestre deste ano, devem chegar a 28%.A diferença de preço entre computadores de mesa e portáteis diminuiu por dois motivos. Um deles foi a transição do monitor de tubo para o monitor de cristal líquido, mais caro, no computador de mesa - o que fez com que, proporcionalmente, os preços dos desktops caíssem menos que os dos notebooks. Outro foi o próprio aumento de escala de produção no Brasil, que permitiu aos fabricantes negociarem condições melhores com os fornecedores internacionais de partes e peças."O notebook está se tornando o principal objeto de desejo das classes B e C", disse Rodrigues, da IT Data. "Para a classe A, vem logo depois dos TVs de cristal líquido e de plasma."O grande estouro na venda de notebooks acontece no varejo. O Grupo Pão de Açúcar vendeu cinco vezes mais notebooks em 2006 que em 2005. "Neste ano, o crescimento também está na casa dos três dígitos", disse Avelino Nogueira, gerente de Informática do grupo. Em 2006, a rede vendia um notebook para cada oito desktops. Hoje, a proporção está em um para cinco. A perspectiva para o fim de 2008 é que a proporção fique em um para um. Valéria Molina, diretora da Computação Pessoal da HP, segunda maior fabricante do País, apontou que também existe um crescimento no mercado corporativo, ainda que numa proporção menor. "Antes, o notebook era usado pelos executivos", disse Valéria. "Agora, começa a fazer parte do cotidiano de um grupo maior de profissionais, como vendedores e técnicos de campo." Há um ano, o modelo mais barato da HP saía por R$ 2,5 mil. Hoje, sai por R$ 1,6 mil.

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