Ed Ferreira|Estadão
Ed Ferreira|Estadão

Comunicação do Banco Central é mal avaliada pelo mercado

Pelo Termômetro Broad, nota de avaliação caiu de 4,5 para 1,5 em janeiro, a pior da série que foi iniciada em 2014

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2016 | 05h00

As notas de avaliação do mercado financeiro em relação às gestões da Fazenda e do Banco Central (BC) tiveram piora generalizada em janeiro, com destaque para o tombo da média para a Comunicação do Banco Central de 4,5, em dezembro, para 1,5. O número é o mais baixo da série do Termômetro Broad – levantamento produzido mensalmente pelos profissionais do AE Dados, da Agência Estado iniciado em fevereiro de 2014 –, e empurrou a avaliação geral da gestão do BC, entre dezembro e janeiro, de 4,6 para 2,4. A da Fazenda, proporcionalmente, cedeu bem menos, de 3,7 para 3,2.

Nas demais notas do BC, a média para Política Cambial recuou de 4,7 para 3,6 e para Política Monetária caiu de 4,4 para 2,7. Tanto a Política Monetária quanto a Comunicação do BC estiveram sob fogo cruzado em janeiro, principalmente nos dias que antecederam a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

A decisão de manter a Selic em 14,25% foi bastante criticada porque contrariou toda a sinalização anterior dada pelo BC em discursos e documentos desde dezembro, de que buscaria limitar a inflação de 2016 a 6,5% e fazer convergir o IPCA para 4,5% até 2017. O mercado esperava que o ciclo de altas da Selic começaria em janeiro, com aumento de 0,5 ponto porcentual, mas a percepção mudou na véspera da decisão, quando o presidente Alexandre Tombini comentou que a deterioração de projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para economia brasileira eram “significativas”.

O comentário, somado ao fato de que Tombini tivera encontro com a presidente Dilma Rousseff, que não constou da agenda oficial, no dia anterior, levou os economistas a mudarem, em cima da hora, as apostas para a decisão. Desconfiado de que fatores “não técnicos” pesaram sobre a decisão, o mercado agora tem dúvidas quanto à determinação do BC de buscar, de fato, a meta de inflação.

No caso da Fazenda, a nota de avaliação geral caiu de 3,7 para 3,2 em dezembro, com recuo mais forte para a Política Fiscal, de 3,4 para 2,6. A nota da Comunicação saiu de 3,6 para 3,1 no período. O destaque do primeiro mês de Nelson Barbosa na Fazenda foi o pacote para estimular a oferta de crédito com potencial de R$ 83 bilhões, mas os agentes do mercado estão céticos sobre a eficácia do programa, pois entendem que não há demanda por crédito.

Nas contas públicas, Barbosa retomou a ideia de adotar bandas de flutuação fiscal, mas alguns profissionais veem a medida como sinal de flexibilização diante das dificuldades do governo de cumprir o superávit de 0,5% do PIB em 2016. Em janeiro, participaram do Termômetro Broad 46 instituições, que responderam ao questionário entre os dias 21 e 29.

A piora na avaliação do mercado em relação à Fazenda não se deve apenas à saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, mas também aos desdobramentos da operação Lava Jato, ao aprofundamento da instabilidade política em Brasília e à falha na comunicação em torno do conjunto de medidas de injeção de crédito na economia, anunciado no fim de janeiro.

A combinação destes fatores torna mais difícil a implementação do ajuste fiscal, alerta o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho. “O mercado vê uma probabilidade ainda menor de haver apoio entre os parlamentares para a aprovação do ajuste, o que consequentemente afeta a avaliação da gestão do ministério.”

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