Comunicado do Copom aumenta chance de novo corte na Selic

Avaliação dos economistas se deve ao fato de o Banco Central afirmar no documento que vê um risco para a trajetória de inflação bastante limitado

Economia & Negócios com Agência Estado,

18 de abril de 2012 | 21h20

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, de reduzir a taxa básica de juros do País em 0,75 ponto porcentual, para o nível de 9% ao ano, veio dentro do que já era esperado pelo economista Thiago Carlos, da Link Investimentos.

Em entrevista à Agência Estado, o analista ressaltou, entretanto, que o conteúdo do comunicado divulgado pelo BC deu a entender que, ao contrário do que era imaginado pela maioria do mercado, cresceram as possibilidades de uma continuidade no processo de afrouxamento monetário, iniciado em agosto do ano passado.

"A chance de o BC continuar cortando os juros, para mim, aumentou significativamente com este comunicado, já que ele vê um risco para a trajetória de inflação bastante limitado", disse Thiago Carlos. "Dá uma ideia de continuidade, já que ele não fala em pausa no processo em nenhum momento", acrescentou o economista.

Questionado se, mesmo com a surpresa do texto, já haveria uma projeção da Link para a próxima reunião do Copom, agendada para maio, o economista da instituição respondeu que, inicialmente, um corte mais moderado que o da reunião de abril seria mais condizente com o cenário atual da economia nacional.

"Poderia ser um corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião", afirmou. "Mas é preciso esperar a ata, para ver se não haverá alguma sinalização diferente por parte do BC", ponderou, referindo-se ao documento da autoridade monetária que deverá ser divulgado na quinta-feira da próxima semana.

A economia-chefe da Corretora Icap Brasil, Inês Filipa, também comentou a decisão do Banco Central. "É impressionante como o BC consegue surpreender, porque ele deixou a porta aberta para reduzir novamente a taxa de juros ou mesmo optar por uma parada técnica", disse.

Inês explica que o texto chama muita atenção para o fato de que a inflação atualmente tem trajetória benigna no Brasil. "Neste momento, permanecem limitados os riscos para a trajetória da inflação", cita o documento. "O Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionaria", completa.

No fechamento desta quarta-feira, 18, a curva a termo de juros futuros indicava um corte próximo a 0,10 ponto porcentual na reunião de maio do Copom. Ou seja, as chances de uma nova redução de 0,25 ponto na próxima reunião é, atualmente, de cerca de 30%. O DI com vencimento em junho de 2012 marcou 8,77%, de 8,81% no ajuste de ontem, enquanto o contrato para janeiro de 2013 terminou em 8,66%, de 8,67% na véspera.

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