Conab culpa transportadores por falta de milho em SC

Companhia estatal de abastecimento enfrenta a falta de caminhões para escoar os estoques de milho

ENILSON FERREIRA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h07

VA Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai punir as transportadoras que estão retardando o embarque de milho em Mato Grosso com destino às regiões onde criadores de aves e suínos enfrentam dificuldades com os altos custos do cereal e problemas de abastecimento, especialmente em Santa Catarina.

Rafael Bueno, superintendente de Armazenagem da Conab, afirmou que das 64 mil toneladas contratadas para Santa Catarina, 45 mil chegaram ao destino e foram comercializadas no programa de venda direta aos criadores, pelo preço subsidiado de R$ 21 a saca, bem abaixo dos R$ 35 cobrados no mercado.

A Conab agora tenta convencer as transportadoras a cumprir o combinado e embarcar as 19 mil toneladas que faltam dos contratos arrematados pelas empresas nos leilões de frete realizados em junho deste ano.

Bueno descartou a possibilidade revisão dos preços firmados nos contratos, que estão de 30% a 40% abaixo dos valores cobrados atualmente no mercado.

Segundo ele, os leilões cujos lotes estão sendo transportados foram realizados antes da quebra da safra norte-americana e da consequente disparada dos preços dos grãos.

Retorno. Os transportadores reclamam da falta de frete de retorno para levar o milho aos municípios distantes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, além da região Nordeste. Quando os transportadores arremataram os fretes, eles tinham conhecimento que os locais de entrega da mercadoria muitas vezes ficam fora das rotas que garantem frete de retorno, afirma Bueno.

Ele reconhece que a logística para transporte dos grãos é complicada, pois a frota de caminhões graneleiros, estimada em 80 mil veículos, é insuficiente para atender o aumento da demanda provocado pela colheita da safra recorde. Segundo entidades do setor rodoviário, o Estado do Mato Grosso - maior produtor brasileiro de soja e segundo de milho - tem cerca de 12 mil caminhões graneleiros, mas apenas a Conab demanda 10 mil veículos para escoar a safra.

Choro. O diretor executivo da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso, Miguel Mendes, diz que na situação atual "quem pagar mais chora menos". Segundo ele, se a Conab não pagar um frete condizente não terá caminhões.

Os transportadores estão numa situação confortável neste ano, pois a perspectiva é de demanda firme até o final do ano, pois Mato Grosso deve exportar pelo menos 10 milhões de toneladas das 15 milhões de toneladas colhidas neste ano. Até agora o Estado exportou apenas 1 milhão de toneladas. A demanda por caminhões para levar a mercadoria aos portos e aos terminais ferroviários inflacionou o mercado de fretes, que nos últimos 30 dias subiu 20% na rota de Sorriso ao porto de Paranaguá.

Segundo Mendes, a tendência é queda no interesse pelos leilões de frete da Conab, pois as empresas devem priorizar as rotas mais curtas. Prova disso é o aumento do movimento no terminal da ALL em Alto Taquari, onde o movimento de caminhões bate recordes sucessivos e chega a 1,1 mil veículos por dia. O dirigente diz que o problema não é a falta de caminhões e sim a logística precária.

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