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Conceição Tavares quer política de investimento para gerar emprego

A economista Maria Conceição Tavares, integrante do Partido dos Trabalhadores, defendeu hoje a implantação de uma política de investimento para criação de emprego e renda. "Vou tentar discutir com a cúpula do Ministério (do Trabalho)", disse a economista, pouco antes de iniciar uma palestra sobre o assunto para o ministro Jaques Wagner e assessores. A professora argumenta que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por si só, não gera os empregos necessários nem mesmo para absorver a nova mão-de-obra que surge no mercado do trabalho. Ela disse que o País ainda vive um momento de desequilíbrio que já era previsível em função do "freio de arrumação" que a nova equipe econômica fez. "É claro que, quando você faz um ?freio de arrumação? num país que parece um caminhão desgovernado, sai gente de tudo quanto é lado, ou então dá trombada; não deu trombada, mas deu desarrumação." Conceição Tavares reclamou do fato de o debate sobre a situação no País estar muito voltado, neste momento, para a política macroeconômica, principalmente para o comportamento dos juros e do câmbio. E defendeu a discussão do desenvolvimento econômico e geração de renda e emprego, "assunto que, neste país, virou agenda morta". Neste momento de ajuste, disse, há setores que estão em recessão e outros em expansão. Segundo ela, uma das áreas onde o investimento poderia aumentar a absorção de mão-de-obra é a indústria naval. "Se reativar (essa indústria), gera 10 mil empregos diretos, fora os indiretos", estimou. Segundo ela, os setores siderúrgicos e de construção civil também são áreas que mereceriam uma ação mais efetiva do governo. Citou também a boa safra de soja obtida neste ano graças a subsídios concedidos aos compradores de máquinas agrícolas aproveitando-se um momento de safra ruim nos Estados Unidos. Para a economista, também é necessário planejar melhor o escoamento da safra. "Precisa de caminhões, de infra-estrutura para transportar a soja, senão fica lá no Mato Grosso apodrecendo." Ela afirmou que a qualificação profissional, por si só, não resolve o problema do desemprego. Mencionou, como exemplo disso, o grande número de engenheiros desempregados em conseqüência da paralisação das obras da construção civil e também de serviços de infra-estrutura, como as barragens. Conceição cobrou o aumento da oferta de crédito - que está em apenas 22% do PIB e já foi de 33%. Por fim, ela disse que o grande número de empregados domésticos existentes no País - o equivalente a 21% da mão-de-obra total - é um mau indicador, embora a maior parte deles tenha carteira assinada. "Um país que tem no setor doméstico 21% do emprego não está bem."

Agencia Estado,

02 de maio de 2003 | 18h49

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