Concentração de renda no País tem décima queda em dez anos

Índice de Gini, que mede a desigualdade econômica, cai de 0,521 em 2007 para 0,515 em 2008, mostra Pnad

estadao.com.br,

18 de setembro de 2009 | 16h53

A Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira, 18, mostra uma redução no índice de Gini, que mede a desigualdade de renda. O indicador, que vai de 0 a 1, caiu de 0,521 em 2007 para 0,515. Foi o décimo recuo seguido em dez anos.

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Segundo o IBGE, as maiores elevações de renda aconteceram nas classes mais baixas. Regionalmente, as regiões Norte e Sul tiveram maior queda na concentração de renda. Os Estados com menor diferença de renda são Amapá, Santa Catarina e Rondônia. As maiores desigualdades estão no Distrito Federal, Piauí e Paraíba.

A Pnad apontou também que, ainda no ano passado, as camadas mais baixas de rendimento apresentaram os maiores ganhos em relação ao ano anterior. Segundo a pesquisa, para os 10% das pessoas ocupadas com os rendimentos mais baixos, o crescimento do rendimento médio real mensal foi de 4,3% ante o ano anterior, enquanto os 10% dos trabalhadores que tinham os rendimentos mais elevados tiveram um aumento de 0,3% de um ano para o outro.

Trabalho e renda

A pesquisa revelou também um ótimo desempenho no mercado de trabalho no Brasil nos meses pré-crise de 2008. Segundo o levantamento, cuja apuração foi concluída em setembro, antes dos efeitos das turbulências nos indicadores econômicos, a taxa de desemprego no ano passado ficou em 7,1%, ante 8,1% em 2007. A taxa de 2008 foi a menor desde o início da série desse indicador na Pnad, em 2001. As informações foram divulgadas pelo IBGE nesta sexta-feira, 18.

O rendimento médio real mensal do trabalho prosseguiu em trajetória de aumento no País em 2008, mas o ritmo de crescimento caiu em relação aos anos anteriores. Segundo o estudo, a renda média real (das pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas e com rendimento) foi estimada em R$ 1.036,00 no ano passado, com alta de 1,7% ante o ano anterior. A variação foi menor do que a apurada em 2007 ante 2006 (3,1%) e a 2006 ante 2005 (7,2%).

Em 2008, o número de pessoas ocupadas no Brasil somou 92,4 milhões de pessoas, com aumento de 2,8% em relação a 2007, quando havia 89,89 milhões de ocupados. De um ano para o outro, foram registrados 2,5 milhões de postos de trabalho a mais do que no ano anterior. Ao contrário da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada mensalmente pelo IBGE e que abrange apenas seis regiões metropolitanas do País, a Pnad tem abrangência nacional.

Entenda a Pnad

A Pnad é realizada anualmente e investiga os temas de habitação, rendimento e trabalho, associados a aspectos demográficos e educacionais. A pesquisa tem seus primórdios em 1967, quando foi iniciada apenas na área do Rio de Janeiro, e na atualidade é realizada nacionalmente, por meio de uma amostra de domicílios. No levantamento divulgado nesta sexta-feira, 18, foram pesquisadas 391.868 pessoas e 150.591 unidades domiciliares, distribuídas por todo o País.

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