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Concentração de reservas em dólar reflete dívida, aponta BC

As reservas internacionais brasileiras tendem a se concentrar "essencialmente" no dólar porque a maior parcela dos passivos do país é denominada na moeda norte-americana, afirmou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Mario Torós.

ISABEL VERSIANI, REUTERS

12 de agosto de 2009 | 18h54

"O conceito principal (da estratégia de acumulação de reservas) é um hedge para a dívida do país", afirmou Torós a jornalistas nesta quarta-feira, ao divulgar um novo relatório do BC sobre gestão das reservas, com dados até 2008.

Ele acrescentou que considera "precipitadas" preocupações de parte do mercado internacional com uma eventual perda de valor do dólar diante da aceleração da inflação nos Estados Unidos.

Questionado sobre o risco de a desvalorização do dólar afetar as reservas, o diretor ponderou que o desempenho da moeda norte-americana tem de ser avaliado frente a outras moedas, e que não há razão para prever que as outras grandes economias do mundo também não venham a enfrentar problemas com inflação.

O relatório do BC mostrou que, ao final do ano passado, as reservas brasileiras somavam 206,8 bilhões de dólares e que, deste total, 89,1 por cento estavam alocados em dólar, 9,4 por cento em euro e 1,5 por cento em outras moedas.

Considerando a divisão por classes de ativos, a maior parte das reservas estava aplicada em títulos governamentais (79,1 por cento) e em títulos de organismos supranacionais (12,9 por cento) ao final do ano passado.

MUDANÇAS COM A CRISE

Segundo o BC, diante dos indícios de uma crise global, os gestores adotaram, a partir de 2007, medidas para reduzir o risco decorrente das aplicações das reservas.

Entre as ações, a autoridade monetária destacou a interrupção temporária de operações de depósitos, moedas e ouro com instituições específicas, redução do montante e do prazo dos investimentos com risco de crédito bancário e implementação de um novo modelo de risco.

Torós afirmou que, a partir do final de 2008, essas medidas de precaução passaram a ser relaxadas, mas que a alocação das reservas para depósitos em instituições financeiras privadas permanecia, ao fim do ano, bem abaixo dos níveis históricos, em cerca de 1,0 por cento.

Ao final do ano passado, a participação dos investimentos em títulos soberanos também apresentava queda frente aos cerca de 85 por cento verificados no início do ano, enquanto a dos organismos supranacionais e das agências aumentaram seu peso.

A mudança, segundo Torós, refletiu um esforço do BC por "aproveitar oportunidades do mercado" e vantagens de rentabilidade, e não representa uma alteração na estratégia de gestão.

As reservas tiveram no ano passado rendimento médio em dólar de 9,3 por cento, praticamente o mesmo registrado no ano anterior.

Na segunda-feira desta semana, último dado disponível, as reservas somavam 212,472 bilhões de dólares.

O Relatório de Gestão das Reservas Internacionais passará a ser divulgado semestralmente pelo BC.

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