Concentração no setor de saúde já preocupa o Cade

Segundo conselheiros, movimento de consolidação das empresas do setor vem se acelerando, o que pode causar problemas no futuro

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

A concentração cada vez mais evidente de empresas na área de saúde acendeu uma luz amarela no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O assunto foi debatido entre os conselheiros ontem depois que dois atos de concentração passaram por julgamento. Apesar de terem aprovado as operações, alguns conselheiros mostraram-se preocupados com a celeridade da modificação da estrutura do setor.

"Precisamos dar mais atenção a esse processo de consolidação. Não temos ainda preocupação muito grande neste momento, mas vejo o processo como muito rápido e, em breve, teremos confronto", previu o conselheiro Ricardo Ruiz.

Ontem, o Cade aprovou a compra de 100% do capital social das sociedades do Grupo Amesp pela Medial Saúde (de atuação nacional) e pelo Hospital Alvorada Taguatinga (Distrito Federal). As empresas atuam na comercialização de planos de assistência à saúde e na prestação de serviços médico-hospitalares.

Também deram aval para a aquisição, pela Amico, da totalidade das cotas da Life System Assistência Médica, EMED Serviços Médicos Hospitalares, Hospital Metropolitano e Life System Serviços Médicos Ambulatoriais e Diagnósticos.

Apesar terem aprovado os negócios, os conselheiros votaram pela criação de uma cláusula de não concorrência com duração de cinco anos e que está limitada aos municípios em que a empresa comprada atua. Essa cláusula evita que a empresa vendedora dos ativos - e que, portanto, possui conhecimento do setor, bem como tem acesso aos fornecedores e consumidores -, reinicie suas atividades no ramo, passando a concorrer com a compradora.

Padrão de concorrência. O relator dos dois casos aprovados ontem, conselheiro Carlos Ragazzo, salientou ser importante identificar o padrão de concorrência dos planos de saúde para o futuro. Além disso, comentou sobre a necessidade de se saber como isso poderá impactar a entrada de empresas que queiram atuar nessa área. Ele argumentou que é preciso aprofundar o conhecimento de todo o setor - do plano de saúde à farmácia. "A verticalização não se limita a planos de saúde de hospital, está indo passos além disso."

Já Ruiz destacou ter identificado o início mais forte das mudanças no setor há dois anos, com a crescente quantidade de ofertas públicas de ações na Bolsa.

Para se ter uma ideia, em 2007 a Drogasil, a Amil e a Medial optaram por abrir seu capital. Em 2009, a rede de laboratórios de análises clínicas Fleury também aderiu a essa forma de captar recursos. Há uma lista de empresas da área de saúde que já disseram desejar se integrar ao mercado de ações - entre elas, a rede de farmácias Droga Raia, a farmacêutica Eurofarma e o conjunto de hospitais Rede D"Or.

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