Concessão deve melhorar gestão da Infraero, diz ministro

Bittencourt acredita que estatal poderá absorver as melhores práticas de administração de sócios privados e aplicá-las em seus empreendimentos próprios 

Lu Aiko Otta e Edna Simão, da Agência Estado,

01 de junho de 2011 | 16h53

A concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília à iniciativa privada deverá melhorar a gestão da Infraero, disse nesta quarta-feira, 1, o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wagner Bittencourt, em audiência na Câmara dos Deputados. "Nosso trabalho é fazer com que ela seja uma grande empresa, um player internacional e uma das melhores operadoras do mundo", afirmou. Ele acredita que a estatal poderá absorver as melhores práticas de administração de seus sócios privados e aplicá-las em seus empreendimentos próprios. A meta, segundo explicou, é fazer da Infraero uma empresa de sucesso como a Petrobrás e o Banco do Brasil.

Segundo informações divulgadas na última terça-feira pelo Planalto, as concessões serão feitas com a criação de Sociedades de Propósito Específico (SPEs), das quais a Infraero terá até 49% do capital e o sócio privado, 51%. O papel da Infraero nessa sociedade é a grande dúvida do setor privado, que já está chamando o projeto de concessão de "51, uma boa ideia". O grau de interferência da estatal será chave para definir o interesse das empresas.

A modelagem da concessão, disse Bittencourt, ainda vai ser definida até o final do ano. Para tanto, a SAC contará com a ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Bittencourt disse também que, no curto prazo, a capacidade de atendimento dos aeroportos pode ser aumentada em até 30% com melhorias na gestão. Os aeroportos de Guarulhos e Brasília serão os primeiros a ter centros de governança. Eles reunirão num só lugar os órgãos do governo federal que atuam nos aeroportos, como Infraero, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Departamento do Espaço Aéreo (Decea), Polícia Federal, Receita Federal, além de companhias aéreas.

Confins

O presidente da Infraero, Gustavo do Vale, afirmou que espera assinar ainda na próxima semana o edital de licitação das obras de reforma e modernização do Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Vale também participa da audiência pública na Câmara que discute a situação dos aeroportos.

Ele destacou que o fluxo de passageiros no País cresceu mais de 12% entre 2007 e 2010 e a perspectiva é de que continue se expandindo - 10,5% ao ano - nos próximos anos. "É infinitamente maior que o PIB, e reflete o aumento da renda da população. Essa é nossa grande dificuldade e, ao mesmo tempo, desafio", afirmou Vale.

Ele aproveitou a audiência para fazer um balanço da situação dos aeroportos que serão sede dos jogos da Copa do Mundo em 2014. Segundo Vale, as obras de reforma e ampliação são necessárias porque alguns aeroportos já atuam acima da capacidade. Esse é o caso do aeroporto de Guarulhos.

Outra situação considerada pelo presidente da Infraero como preocupante é a do aeroporto de Brasília, onde a demanda cresce num patamar superior à expansão da capacidade do aeroporto. A expectativa é de um crescimento da demanda no aeroporto de Brasília de 10,44%% entre 2011 e 2014.

Tudo o que sabemos sobre:
aeroportosconcessão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.