Concessionária não pode vender carros com defeito

Quem comprar um dos carros fabricados em 2002 pelas quatro maiores montadoras do País - Volkswagen, Fiat, Ford e General Motors - pode ficar tranqüilo quanto à falha no sistema de freios admitida pelas fábricas. É que por determinação do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), subordinado ao Ministério da Justiça, as concessionárias estão proibidas de vender carros que precisem passar pelo recall - e elas garantem que os automóveis ainda não comercializados terão suas peças trocadas.A assessoria de imprensa da Ford informou que 6.141 carros devem passar pelo recall e, desses, 4.250 terão as peças trocadas. Do total dos carros com problema no sistema de freios, 80% já foram comercializados e 20% estão no pátio da montadora. Os mil carros exportados também farão o recall.Apesar da falha, a Continental continuará fornecendo peças para a Ford, garantiu a assessoria de imprensa. "Com tantos anos de fornecimento, só um lote apresentou defeito. A Continental é tradicional e por isso a Ford não vai parar de comprar", informou a assessoria.A assessoria da GM do Brasil não quis divulgar se a montadora teve prejuízos com tantos carros no pátio: "Essa informação é interna da empresa. Por enquanto, estamos preocupados com o recall".A montadora produziu 24 mil veículos com os freios do lote sujeito a defeitos da Continental. Cerca de 18 mil unidades foram vendidas - mil para o exterior. Segundo a assessoria, os carros que estão no pátio serão avaliados.Segundo o vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto, a preocupação em anunciar o recall rapidamente reflete o reconhecimento de periculosidade de um eventual problema no freio. Em outro episódio, o do recall do Corsa em 2000, a montadora foi multada em R$ 3 milhões pela Secretaria de Direito Econômico pela demora na divulgação do problema.A Fiat garante que sua prioridade são os donos dos 6.525 mil carros que passarão pelo recall em um prazo estimado de 180 dias. A assessoria informou que não exportou carros em janeiro.Sobre a Continental, a Fiat informa que nunca houve problema, e que continuará comprando suas peças. A montadora não sabe quantos carros estão no pátio, mas diz que todos serão consertados antes de ir para as concessionárias.Continental pode ser punidaO DPDC notificou a Continental a prestar mais informações sobre o defeito das pinças de freio que motivou o recall. Os agentes do governo querem saber quando e como a fornecedora constatou o problema, que medidas tomou e quem mais, além das quatro montadoras, adquiriu as peças defeituosas. "Nossa preocupação é o mercado paralelo", explicou a diretora substituta do DPDC, Patrícia Barros.Segundo ela, ainda não é possível prever se a fornecedora será punida e que penalidade poderá sofrer. A multa máxima prevista pelo Código de Defesa do Consumidor é de R$ 3,2 milhões. A Continental tem cinco dias úteis, a partir do recebimento da notificação pelo Correio, para responder ao DPDC.Pelo relato oficial das montadoras, elas foram avisadas na sexta-feira pela Continental do defeito. Segundo ela, as montadoras seguiram "a priori" os prazos para comunicar o problema ao Ministério, mas alguns Procons pretendem responsabilizá-las por não terem detectado o defeito com instrumentos de controle de qualidade. "Uma empresa informou que o próprio fornecedor faz o teste de qualidade", disse Patrícia.Mais de 50 mil veículos devem passar pelo recall. A GM e a Ford anunciaram para hoje o início da revisão, mas algumas concessionárias procuradas pelo JT avisaram que não têm condições para isso. "Ainda não recebemos as peças. Estamos agendando o recall com os clientes que nos ligam", disse o gerente da revendedora Jorlan, de Brasília, Nilson Cusatis.Segundo Patrícia, o retardamento do início da revisão pode caracterizar "propaganda enganosa". Todas que tentarem fazer o recall a partir da data estabelecida pelas montadoras e não forem atendidas poderão dar queixa no Procon.

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